urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca Gene de traça Livros e etc. LiveJournal / SAPO Blogs genedetraca 2017-08-04T13:21:00Z urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:28917 anacb 2017-08-04T13:55:00 INOMINÁVEL #9 2017-08-03T21:36:27Z 2017-08-04T13:21:00Z <p> </p> <p>Chegou a <a href="https://view.joomag.com/inomin%C3%A1vel-ano-2-inomin%C3%A1vel-n%C2%BA9/0244326001498476251?short" target="_blank" rel="noopener">INOMINÁVEL n.º 9</a> - fresquinha, fresquinha!</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="blog-img-link" href="https://view.joomag.com/inomin%C3%A1vel-ano-2-inomin%C3%A1vel-n%C2%BA9/0244326001498476251?short" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="capa #9.png" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G03023b1f/20572711_lF6hN.png" alt="capa #9.png" width="545" height="768" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:28496 anacb 2017-07-13T09:32:00 Leituras alternativas para as férias 2017-07-12T23:54:18Z 2017-07-12T23:54:18Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><strong>Por esta altura não há jornal, revista, livraria ou blogue literário que não publique a sua lista de livros recomendados para ler nas férias. Normalmente são novidades, ou clássicos, ou uma mistura dos dois. Pois eu, apesar de ultimamente andar a dedicar pouco tempo às leituras e a este blogue, não quero deixar passar a oportunidade de sugerir a minha lista – que, como vão perceber, é bastante heterogénea e muito pouco ortodoxa. O meu critério? Fazem todos parte da minha biblioteca, não são livros muito grandes (e portanto são bons para levar na mala de viagem) e, com uma ou outra excepção, as histórias que contam não são demasiado “pesadas” ou difíceis de seguir – porque na minha opinião (e os fundamentalistas que me desculpem), as férias pedem livros que se leiam bem em qualquer lado, que se possam pegar e largar em qualquer altura sem receio de perder o fio à meada, e que sejam mais virados para o bom humor do que para a introspecção. Sem abrir mão da qualidade.</strong></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Leituras alternativas.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gba078e9a/20536422_JFdZk.jpeg" alt="Leituras alternativas.jpg" width="800" height="800" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"> </span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um romance adorável sobre o amor e a poesia</span></strong>: <em>O Carteiro de Pablo Neruda</em>, de Antonio Skármeta</span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680443.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0502424b/20536343_ECLSq.jpeg" alt="P1680443.JPG" width="375" height="500" /></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: justify;">Partindo de alguns factos reais da vida (e morte) do famoso poeta chileno Pablo Neruda e de toda a agitação política do Chile nos finais dos anos 60 e início da década de 70, Skármeta constrói um delicioso, vivaz e enternecedor romance sobre um pescador que se torna carteiro, a sua paixão por uma jovem, e a sua relação com Neruda, em quem se apoia para conquistar o objecto do seu desejo – processo no qual vai descobrindo e mostrando o porquê da existência da poesia. Deste livro saiu um filme igualmente bom e inesquecível, baseado no fio condutor da história do livro mas afastando-se um pouco dele, de forma igualmente brilhante, na caracterização das personagens. Ambos, livro e filme, são altamente aconselháveis, e um daqueles poucos casos em que um não é melhor do que o outro.</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Uma ficção à volta da política e do jornalismo</span></strong>: <em>House of Cards</em>, de Michael Dobbs</span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680431.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bcf07b856/20536346_WeiIf.jpeg" alt="P1680431.JPG" width="375" height="500" /></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: justify;">O título não será certamente estranho a quem for fã da série americana e de Kevin Spacey, um dos patifes mais fascinantes até agora encarnados por este enorme actor – que é excelente quando faz de “bom”, mas verdadeiramente excepcional quando representa o “mau da fita”. Mas adiante. O que poderá ser surpresa é o facto de a série se basear muito proximamente num livro escrito por um jornalista político… britânico. Verdade, verdadinha: <em>House of Cards</em> foi o primeiro romance político de Michael Dobbs (que foi mais tarde conselheiro de três primeiros-ministros do Reino Unido), foi escrito em 1989 e passa-se nos meandros das Casas do Parlamento. Aliás, para além dos jogos maquiavélicos do tortuoso protagonista da história, Francis Urquhart, um dos motivos maiores de interesse deste livro é mesmo a descrição – e dissecação – do sistema parlamentar britânico, com os seus rituais, preceitos e tiques. Um livro bem construído, com muito ritmo, e simultaneamente muito revelador.</p> <p style="text-align: justify;">(Em jeito de aparte: é brilhante a forma como a realidade britânica foi adaptada ao sistema americano na série televisiva; mais um caso em que a literatura e a cinematografia se equiparam e produzem ambas resultados notáveis.)</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um policial muito inglês</span></strong>: <em>Um Vinho Atordoante</em>, de Kate Charles</span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680449.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B43078e24/20536347_397JU.jpeg" alt="P1680449.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">A linhagem de escritoras inglesas de romances policiais é longa e de enorme qualidade, e Kate Charles poderia fazer parte dela… não fosse o facto de ter nascido nos Estados Unidos. No entanto, os seus livros policiais têm como subtítulo “Um mistério clerical”, são passados em Inglaterra e seguem a linha tradicional das histórias policiais inglesas: ambientes relativamente fechados, conservadores, frequentemente rurais, com um naipe de actores algo excêntricos e protagonistas muito perspicazes. <em>Um vinho atordoante</em> é o primeiro de uma série de cinco volumes que tomou o nome genérico de <em>Livro dos Salmos</em>: cinco histórias passadas à volta de outras tantas igrejas e quem a elas está ligado, com mortes misteriosas, os suspeitos do costume, voltas e reviravoltas, e um casal de advogados que acaba por solucionar o caso. <em>Very British…</em></p> <p style="text-align: justify;">Como e porque é que uma americana consegue escrever policiais tão “britânicos”? Simples: casou com um inglês e vive no Reino Unido há várias décadas. Mistério explicado :)</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Uma ficção científica bem construída</span></strong>: <em>Viagem Fantástica ao Cérebro</em>, de Isaac Asimov</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680445.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2a077a0e/20536350_pJ7m8.jpeg" alt="P1680445.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Antes, muito antes, dos delírios mais fantasiosos do que científicos dos escritores de ficção científica modernos, este género literário já tinha nas suas fileiras grandes nomes que atraíam leitores fiéis. Isaac Asimov, um americano nascido na Rússia, é um desses escritores. Professor universitário de bioquímica, visionário que previu com grande antecedência muitos dos desenvolvimentos tecnológicos de que hoje usufruímos, nas suas quase 500 obras escritas contam-se muitos dos clássicos da FC – como é por exemplo o caso de <em>Eu, Robô</em>, que foi há alguns anos adaptado ao cinema. Este <em>Viagem Fantástica ao Cérebro</em> é um prodígio de possibilidades, uma história irrepreensivelmente bem contada e quase verosímil do ponto de vista teórico, cheia de acção e algum <em>suspense</em>, e um grande entretenimento. O tema da miniaturização e as viagens dentro do corpo humano tornaram-se entretanto algo recorrentes, sobretudo no cinema, mas a verdade é que Asimov escreveu este livro em 1987 a partir de um guião seu para um filme de 1966 (com o qual não ficou satisfeito). Nas edições mais recentes, o título dado a este livro é <em>Viagem Fantástica II - Destino Cérebro</em>.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um livro de BD clássico e delicioso</span></strong>: <em>Astérix e Latraviata</em>, de Goscinny e Uderzo</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680427.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bff07b43d/20536352_pmrAY.jpeg" alt="P1680427.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Sou completamente fã desta série de BD e tenho uma grande parte dos livros da colecção Este que sugiro é talvez um dos menos famosos, mas não é menos divertido do que qualquer um dos outros. Cheio, como sempre, de anacronismos deliciosos, pisca o olho à espionagem política e à manipulação psicológica, com os azarados romanos a continuarem azarados e os irredutíveis gauleses a continuarem grandes apreciadores de javalis. Impossível não terminar a (rápida) leitura com um sorriso no rosto.</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Uma história verídica e divertida</span></strong>: <em>A Minha Pequena Livraria</em>, de Wendy Welch</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680433.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb507bb05/20536355_0W9GZ.jpeg" alt="P1680433.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">As aventuras e desventuras, contadas na primeira pessoa, de um casal que decidiu abrir uma livraria numa pequena localidade da Virgínia, nos Estados Unidos. Inicialmente projectado para ser um manual de apoio a quem quisesse iniciar-se no ramo livreiro (tal como a própria autora conta no livro), <em>A Minha Pequena Livraria</em> acabou por se transformar numa espécie de romance biográfico, despretensioso e muito bem-humorado, sobre um casal, os seus cães e gatos, uma comunidade nos Apalaches para quem eles eram estrangeiros, e um sonho que impulsivamente decidiram tornar realidade. Hoje, a livraria <em>Tales of the Lonesome Pine</em> – a verdadeira protagonista do livro – é já uma referência cultural local, e o seu dia-a-dia pode ser seguido mais de perto no blogue de Wendy: https://wendywelchbigstonegap.wordpress.com/.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um romance no feminino</span></strong>: <em>A Cor Púrpura</em>, de Alice Walker</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680447.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B36026d37/20536358_hZrdD.jpeg" alt="P1680447.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">É possível contar uma história de opressão e desamor de uma forma terna e quase doce? É sim, e Alice Walker consegue-o magistralmente neste romance. Quem gostou do filme de Spielberg vai adorar o livro, a linguagem expressiva que Celie usa nas suas cartas não enviadas a Deus e a Nettie, a sua irmã desaparecida, as subtilezas que deixam adivinhar sentimentos, as palavras cruas que descrevem injustiças e discriminação, e a evolução da aparentemente plácida e quase apática protagonista até se tornar numa mulher forte e independente. Quem não viu o filme, vai adorar o livro também. Certas passagens provocam-nos um aperto no peito, outras um sorriso de contentamento, mas ninguém consegue ficar indiferente.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Uma fantasia belíssima</span></strong>: <em>O Circo dos Sonhos</em>, de Erin Morgenstern</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680437.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B3702d929/20536359_6MiOF.jpeg" alt="P1680437.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Este é um livro surpreendente e com uma tal riqueza imaginativa ao nível dos pormenores que consegue transportar-nos quase fisicamente para o centro da acção. Dois mágicos competem um contra o outro, tentando manter-se imortais, e para isso fazem uso de dois pupilos e de um circo. O resto é uma teia de encantos, de coincidências e acasos e ocorrências que vão sendo contadas de forma meio solta até finalmente se encaixarem umas nas outras como peças de um puzzle bem imaginado, num cenário encantado por onde passeiam personagens misteriosas e, afinal, muito humanas, por mais que queiram contrariar a sua natureza.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um romance leve e despretensioso</span></strong>: <em>A Carta de Amor</em>, de Cathleen Schine</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680435.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2c079694/20536361_0ShVu.jpeg" alt="P1680435.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">As livrarias são cenários apetecíveis para histórias de amor. Mas embora exista uma livraria envolvida neste romance, o catalisador da história é a carta que cai de dentro de um livro, uma carta que não refere nomes, só pseudónimos. Este acontecimento vai dar origem a uma sucessão de interpretações erradas, desencontros, situações divertidas e surpreendentes revelações. Ao contrário do que o título pode dar a entender, este não é um livro cheio de romantismos lamechas; é ternurento q.b., dá uns pontapés bem dados nalgumas convenções e tem muito humor.</p> <p style="text-align: justify;">Dele também foi feito um filme, mas na minha opinião o livro é bem melhor.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um livro biográfico</span></strong>: <em>Escritos de Frida Kahlo</em>, com selecção de Raquel Tibol</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680439.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4807546e/20536364_km9Mv.jpeg" alt="P1680439.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Já muito se escreveu, filmou e comentou sobre Frida Kahlo. Neste livro, é a própria voz desta pintora mexicana que se faz ouvir através de palavras escritas pela sua mão. São cartas, poemas e toda a espécie de outros textos, alguns apenas apontamentos, que Frida escreveu entre 1922 e 1951, e que Raquel Tibol (em tempos secretária de Diego Rivera, o marido da pintora) seleccionou e compilou para nos oferecer um retrato multidimensional e intimista da pintora, de quem o mínimo que se pode dizer é ter sido uma mulher original – e absolutamente excepcional.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um Prémio Nobel</span></strong>: <em>O Quinto Filho</em>, de Doris Lessing</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680451.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6102151c/20536367_JctuW.jpeg" alt="P1680451.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Definitivamente, esta não é uma história “leve”. Então porque é que a incluo nesta lista? Porque gosto dela e porque é, também, uma história de amor e de esperança: o amor de uma mãe pelo seu filho e a sua esperança em conseguir proporcionar-lhe alguma felicidade. Numa família inglesa vulgar e feliz nasce um quinto filho que se revela agressivo e problemático desde o início, conseguindo afectar de forma negativa todo o ambiente familiar e espalhando infelicidade à sua volta. O resultado é o desmoronamento progressivo dessa família, em que a mãe é a única que consegue, com o sacrifício do seu bem-estar e dos seus sonhos, não desistir completamente de encontrar para esse filho um futuro melhor do que o que lhe parece estar predestinado.</p> <p style="text-align: justify;">Dramática e violenta, sobretudo psicologicamente, esta é uma história que nos agarra. E que suscita dúvidas angustiantes: porque é que certas pessoas parecem nascer para o mal? Será uma questão genética? Será possível contrariar esta característica com a educação? Haverá esperança de felicidade, quiçá de mudança para estas pessoas?</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um policial delicioso que afinal não é bem um policial</span></strong>: <em>A Agência N.º 1 de Mulheres Detectives</em>, de Alexander McCall Smith</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680441.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B05023df3/20536369_JEF2d.jpeg" alt="P1680441.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">O problema maior deste livro é que quando se chega ao fim continuamos com vontade de ler mais. Nós e os acima de 20 milhões de pessoas que já leram o livro em todo o mundo… Mas não há problema: até agora o autor já escreveu outros 17 livros em que a personagem principal é <em>Mma</em> Ramotswe, primeira e única detective feminina no Botsuana, especialista em resolver problemas, mistérios e crimes de todas as espécies. Primeiro da série que tem o mesmo nome, <em>A Agência N.º 1 de Mulheres Detectives</em> é simplesmente <em>de-li-ci-o-so</em> e não há como não ficar a adorar a protagonista, a originalidade das histórias em que se vê envolvida, os seus métodos pouco ortodoxos mas muito eficazes, a sua humanidade e inteligência, o exotismo do ambiente e das tradições deste país africano. Tudo escrito e descrito de uma forma fluida, divertida, alegre e com grande sensibilidade, mesmo quando os assuntos abordados são mais pungentes. Resumir este livro numa palavra? É fácil: diferente.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um livro de viagens</span></strong>: <em>Nos Passos de Santo António</em>, de Gonçalo Cadilhe</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680425.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2607928e/20536372_vRgt4.jpeg" alt="P1680425.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Férias para mim são quase sempre sinónimo de viagem, seja para longe ou para perto. Mas mesmo para quem o conceito de férias signifique simplesmente ficar estiraçado num sofá, numa espreguiçadeira ou numa toalha de praia, em casa ou perto dela, um livro sobre viagens é sempre uma forma de viajar sem sair do sítio. Neste livro, o último do nosso mais emblemático escritor-viajante, Gonçalo viaja pelo percurso parcialmente conhecido (e parcialmente pressuposto) percorrido na Idade Média por aquele que é um dos santos mais amados da igreja católica e mais representados nas suas igrejas: Santo António de Lisboa (que também é de Pádua, pois não regressou à sua terra-mãe antes de morrer; mas nós perdoamos-lhe esta espécie de dupla nacionalidade). De Portugal a Itália, passando pelo norte de África e o Mediterrâneo, entre as reais aventuras do autor e as reminiscências da vida do nosso santo, este livro é simultaneamente uma lição de História e uma viagem temática inspiradora.</p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Um romance histórico em fundo africano</span></strong>: <em>O Abissínio</em>, de Jean-Christophe Rufin</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="P1680429.JPG" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bb7029215/20536376_RqDDV.jpeg" alt="P1680429.JPG" width="375" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Finais do séc. XVII. Jean-Baptiste é médico no Cairo, mas o destino coloca-o numa comitiva que Luís XIV de França, desejoso de expandir ainda mais o seu poder, decide enviar em representação do seu reino ao Négus da Abissínia (Etiópia). Durante a sua viagem vai apaixonar-se por esta região feiticeira, pela sua cultura e gentes, vai conhecer personagens formidáveis e atravessar paisagens arrebatadoras, vai encontrar o amor, e vai acabar por defender firmemente um território que seria suposto ele subjugar e converter à fé católica.</p> <p style="text-align: justify;">Uma história envolvente, cheia de romance, aventura e pormenores que nos transportam a uma época e um horizonte longínquos, excepcionalmente bem escrita por Jean-Christophe Rufin, um médico, historiador, escritor e diplomata francês com uma longa e produtiva carreira em ONGs e como embaixador. O autor voltou a pegar nestas personagens para escrever <em>O Boticário do Rei</em>, com a acção a desenrolar-se vinte anos mais tarde.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p>Boas férias e boas leituras!</p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:28333 anacb 2017-07-12T12:45:00 Parem de assassinar a língua portuguesa #3 2017-07-12T11:47:40Z 2017-07-12T11:47:40Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A última moda em atentados à nossa língua parece ser usar “tive” em vez de “estive”.</p> <p style="text-align: justify;">Eu sei que a língua falada tem diferenças em relação à língua escrita. Quem nunca disse “tá bem” ou “tou que nem posso”? Nem sempre falamos como escrevemos – e isto é comum em muitas línguas. Portanto não é, em si, problemático.</p> <p style="text-align: justify;">Ou não deveria ser.</p> <p style="text-align: justify;">Mas, meus amigos, “tive” é a 1ª pessoa do singular do pretérito perfeito do verbo “ter”, não do verbo “estar”:</p> <p style="text-align: justify;">Eu <em>tive</em> um jantar na casa de uns amigos.</p> <p style="text-align: justify;">Eu <em>estive</em> a jantar em casa de uns amigos</p> <p style="text-align: justify;">Dá para perceber a diferença, certo?</p> <p style="text-align: justify;">Dizer “tive” em vez de “estive” já não é grande coisa. Mas o facto de se poderem tolerar certas liberdades quando falamos não quer dizer que elas sejam aceitáveis quando escrevemos.</p> <p style="text-align: justify;">E não, dizer/escrever “tive no Algarve” não é <em>in</em>, nem jovem, nem <em>fashion</em>, nem nada – é simplesmente errado. Deixem-se disso!</p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:28143 anacb 2017-06-02T12:15:00 INOMINÁVEL #8 2017-06-01T23:14:38Z 2017-06-02T09:36:37Z <p> </p> <p>Acabou de sair a <a href="https://joom.ag/Vg2W" target="_blank" rel="noopener">INOMINÁVEL n.º 8</a>, e traz uma mão cheia de novidades. Já foram espreitar?</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Inominável n.º 8" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G610710f3/20463559_hSwY3.png" alt="Inominável n.º 8" width="478" height="675" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:27834 anacb 2017-04-07T11:23:00 INOMINÁVEL # 7 2017-04-06T20:53:07Z 2017-04-07T10:46:19Z <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"> Já está online a Revista <a href="http://revistainominavel.blogs.sapo.pt/inominavel-n-o-7-56576" target="_blank" rel="noopener">INOMINÁVEL n.º 7</a>, dedicada ao mês de Abril. Sempre com novidades.</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Inominável #7" href="revistainominavel.blogs.sapo.pt/inominavel-n-o-7-56576" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Inominável #7" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1b056cfe/20355534_OS9QN.png" alt="Inominável #7" width="475" height="671" /></a></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:27450 anacb 2017-03-09T13:17:00 Queres ser INOMINÁVEL? 2017-03-09T13:19:16Z 2017-03-10T11:05:54Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Anúncio INOMINÁVEL com caixa.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gaf158a5e/20305175_GzcdS.jpeg" alt="Anúncio INOMINÁVEL com caixa.jpg" width="700" height="872" /></p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:27108 anacb 2017-02-06T08:59:00 Entre aspas #14 Jean Rhys 2017-01-29T17:01:53Z 2017-02-02T21:26:02Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #14 Jean Rhys.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gcb0235ee/20216803_AWQlY.jpeg" alt="Entre aspas #14 Jean Rhys.jpg" width="960" height="960" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:27193 anacb 2017-02-03T14:20:00 INOMINÁVEL n.º 6 2017-02-03T12:41:56Z 2017-02-03T14:05:36Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Hoje vou falar-vos da <strong>INOMINÁVEL</strong>.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Que é uma revista (não confundir com o outro senhor…). Onde eu colaboro na rubrica de Viagens e na revisão dos textos. É uma revista apenas lançada online, e cujos artigos vão depois sendo publicados no blogue que tem o mesmo nome: <a href="https://blogs.sapo.pt/posts/revistainominavel.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">revistainominavel.blogs.sapo.pt</a>. É uma revista feita maioritariamente por bloggers, editada pela <strong>Maria Alfacinha</strong> (autora do blogue <a href="http://omeualpendre.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">O Meu Alpendre</a>), que a co-idealizou com a <strong>Magda Pais</strong> (dos blogues <a href="http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">StoneArt Portugal</a> e <a href="http://stoneartbooks.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">Stoneart Books</a><a href="http://stoneartbooks.blogs.sapo.pt/)" rel="noopener">)</a>.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Inominável #6" href="https://joom.ag/yXeW" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Inominável #6" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B5a12af85/20227772_kG7Qb.jpeg" alt="Inominável #6" width="355" height="500" /></a></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Acabou de sair o <a href="https://joom.ag/yXeW" target="_blank" rel="noopener"><strong>número 6</strong> da revista</a>, cujo tema de inspiração é o <strong>Carnaval</strong> (mas onde na verdade do Carnaval propriamente dito se fala muito pouco). Um número que, na minha opinião, está muito bom. Mas é claro que eu sou suspeita, e por isso não há como irem verificar se tenho ou não razão.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Para vos abrir o apetite, aqui está um resumo do que podem ler nesta edição:</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- As propostas de entretenimento do André (do blogue <a href="http://palavras_aovento.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Palavras ao Vento</a>), na <strong>AGENDA CULTURAL</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- Um percurso circense por vários videojogos conduzido pelo Rei Bacalhau (do blogue <a href="http://obmf.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">O Bom, o Mau e o Feio</a>), na coluna <strong>2D3D</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- No <strong>ANEXO</strong>, a Márcia (do blogue <a href="http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">Planeta Márcia</a>) conta-nos como é que escolhe “o livro que se segue”</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- E <strong>‘BORA LÁ FAZER</strong> umas coisas giras, seguindo as instruções da Ana Delfino</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- A poesia e prosa da <strong>COLUNISTA ACIDENTAL</strong> deste número, Alice Duarte, que tem trabalhos seus publicados em várias colectâneas, além de um livro de poesia</p> <p style="text-align: justify;">  </p> <p style="text-align: justify;">- No <strong>CORREIO (pouco) SENTIMENTAL</strong>, a endiabrada dupla MJ (<a href="http://eagoraseila.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">E agora? Sei lá!</a>) + Maria das Palavras (do blogue <a href="http://www.mariadaspalavras.com/" target="_blank" rel="noopener">com o mesmo nome</a>) continua a inventar as situações mais mirabolantes que é possível imaginar</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- O segundo episódio da história que a Carina (do blogue <a href="https://contadordestorias.wordpress.com/" target="_blank" rel="noopener">Contador d’Estórias</a>) está a escrever para a rubrica <strong>CRIADORES DE IMPOSSÍVEIS</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- A Dona Pavlova (do <a href="http://donapavlova.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">blogue que tem o seu nome</a>) dá as receitas daquelas gulodices sempre presentes em qualquer festa popular portuguesa, na coluna <strong>ESTAR NO PONTO</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- A importância da velocidade de obturação e o melhor formato no qual guardar fotos, na rubrica <strong>FOTOGRAFIA: A LUZ E O OLHAR</strong>, escrita pelo Gil (<a href="http://www.gilcardoso.net/" target="_blank" rel="noopener">http://www.gilcardoso.net/</a>)</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- A Alexandra conta-nos <strong>HISTÓRIAS DE ARTE</strong> sobre Miguel Ângelo</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- Em <strong>MUSICALIZANDO</strong> temos Luísa Sobral, trazida pela mão da Marta (do blogue <a href="http://marta-omeucanto.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">Marta - o meu canto</a><a href="http://marta-omeucanto.blogs.sapo.pt/)" rel="noopener">)</a></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- O Alexandre (do blogue <a href="http://jogo-do-serio.blogspot.pt/" target="_blank" rel="noopener">Jogo do Sério</a>) fala-nos <strong>NA DESPORTIVA</strong> sobre as razões para vermos o Super Bowl (que é já no próximo domingo)</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- N’<strong>O ESPAÇO AZUL ENTRE AS NUVENS</strong>, mais um belíssimo texto do Jonathan</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- José da Xã (do blogue <a href="http://ladosab.blogs.sapo.pt" target="_blank" rel="noopener">Lados AB</a>) fala das comédias da sua infância, em <strong>PLAY IT, SAM!</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- <strong>POR TERRAS DO REI ARTUR</strong>, a Inês (do blogue <a href="http://alquimiadomomento.blogspot.pt/" target="_blank" rel="noopener">Alquimia do Momento</a>) leva-nos até Cardiff e Exeter</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">- Para a rubrica <strong>VIAGENS</strong>, o Carnaval inspirou-me a mostrar alguns lugares cheios de cor que há pelo mundo (e podem ir buscar outras inspirações a <a href="http://viajarporquesim.blogs.sapo.pt/" target="_blank" rel="noopener">Viajar. Porque sim.</a>)</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Curiosos? Então vão lá ler a <strong>INOMINÁVEL</strong>. Basta clicarem na foto da capa.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:26794 anacb 2017-01-31T08:57:00 Entre aspas #13 Christopher Morley 2017-01-29T16:59:44Z 2017-01-29T16:59:44Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #13 Christopher Morley.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5e1245be/20216800_Go8wz.jpeg" alt="Entre aspas #13 Christopher Morley.jpg" width="960" height="960" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:26586 anacb 2017-01-23T15:18:00 Escrever à mão 2017-01-23T15:18:54Z 2017-01-23T15:18:54Z <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Escrever à mão 1 pb.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G6a05ba49/20203963_SdHiT.jpeg" alt="Escrever à mão 1 pb.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="Escrever à mão 2 pb.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G91071d82/20203962_S2Lnr.jpeg" alt="Escrever à mão 2 pb.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="Escrever à mão 3 pb.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gae07e9cb/20203961_vOZ21.jpeg" alt="Escrever à mão 3 pb.jpg" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20170123_142407.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P5a074fca/20203968_N4FrU.jpeg" alt="IMG_20170123_142407.jpg" width="260" height="195" /><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20170123_142251.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P97053e5a/20203969_DKW4D.jpeg" alt="IMG_20170123_142251.jpg" width="260" height="195" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20170123_142704.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pab02f0de/20203971_eElZ3.jpeg" alt="IMG_20170123_142704.jpg" /><img class="editing" style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20170123_142218.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P9f022b5d/20203972_Urelh.jpeg" alt="IMG_20170123_142218.jpg" /></p> <p> </p> <p><span style="font-size: 10pt;"><em>*Hoje é o Dia da Escrita à Mão</em></span></p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:26186 anacb 2017-01-19T08:57:00 Livros em saldo = desgraça 2017-01-18T22:08:19Z 2017-01-18T22:08:19Z <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"> </span></p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong>Ontem à hora de almoço fui à Fnac do Chiado à procura de um livro. Já sabia que ia desgraçar-me, mas não esperava que fosse tanto. </strong><strong>Malvada loja que está com saldos do demónio.</strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Livros em saldo.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gac025069/20194866_G3ZK3.jpeg" alt="Livros em saldo.jpg" width="1024" height="774" /></p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Comprei três livros. TRÊS!</span></strong></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Saldos da desgraça.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gd307c52e/20194870_LLhSq.jpeg" alt="Saldos da desgraça.jpg" width="1024" height="568" /></p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;">Nenhum deles aquele que eu tinha intenção de comprar.</span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;">Fui procurá-lo online. Havia em stock. Encomendei. O que eu queria... e mais outros três.</span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Livros encomendados.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gbb029b60/20194901_AA00N.jpeg" alt="Livros encomendados.jpg" width="1024" height="441" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Não tenho juízo nenhum. O que vale é que, tudo somado, cada livro ficou a cerca de metade do preço que seria normal pagar.</span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;">Já leram algum deles? Opiniões são bem vindas :-)</span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 14pt;"> </span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em>* E se souberem de algum emprego onde eu possa e tenha tempo para ler durante as horas de trabalho, avisem, sim? É que não consigo arranjar tempo para ler tudo o que quero… :-(</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em> </em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em>** Apetecia-me atirar-me já ao “Sino da Islândia”, mas tenho dois livros que me emprestaram para ler e quero devolvê-los o mais depressa possível. Vai ter de esperar. (Que angústia!)</em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em> </em></span></p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em>*** Para quem gostar de romances históricos e quiser aumentar a biblioteca com dois excelentes livros, “Wolf Hall” e “O Livro Negro”, ambos de Hilary Mantel (um é o seguimento do outro), estão a metade do preço. Também vi por lá, com bom desconto, “Os Pilares da Terra”, de Ken Follett.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:25896 anacb 2017-01-05T08:44:00 Ilhas do Norte 2017-01-04T20:09:11Z 2017-01-04T20:09:11Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Estar doente é das coisas mais aborrecidas e despropositadas que podem acontecer, sobretudo se a doença envolver febre, dores e/ou má disposição – e o supra-sumo da barbatana é quando envolve tudo isso. A única coisa menos má de estar doente é ter mais tempo para ler, quando não estou simplesmente em estado vegetativo ou a dormir, e a leitura (e um ou outro filme ou série na tv) é que me salva de morrer de tédio nestas alturas.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Já devem estar a perceber onde quero chegar. Passei a minha <em>silly season</em> do ano que acabou – não, para mim não foi o Verão mas sim a semana entre o Natal e o Ano Novo – enfiada em casa a “curtir” uma bela gripe, alternando entre a cama e os sofás, e sem energia para nada (mas sobre isto já desabafei <a href="http://avidaeoutrosacasos.blogs.sapo.pt/diario-das-festas-2016-ou-como-acabar-o-24939" target="_blank" rel="noopener">neste post</a>). Como não me apetecia ler nada que fosse muito complicado ou pesado, fui buscar à minha de pilha de livros TBR um policial nórdico, “Cinza e Poeira”, de Yrsa Sigurdardóttir, a escritora islandesa de quem também li há algum tempo “O Silêncio do Mar”. Depois, por coincidência, à procura de qualquer coisa interessante para me distrair num momento em que me sentia demasiado apática até para ler, dei com uma série também policial que tem estado a passar na Fox Crime, “Shetland”, e fiquei agarrada.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Ilhas do Norte.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G8d02a154/20163298_8eTc3.jpeg" alt="Ilhas do Norte.jpg" width="990" height="960" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">“Cinza e Poeira” é uma história de mistério que gira à volta de acontecimentos passados nas ilhas Westmann (situadas junto à costa sul da Islândia) na altura da erupção do vulcão Eldfell, em 1973. “Shetland” é baseada na série de livros policiais de Ann Cleeves cujos enredos têm como paisagem as ilhas com o mesmo nome (e que se localizam a norte da Escócia). Histórias diferentes que se passam em cenários parecidos, o livro e a série acabaram assim por se complementarem no meu imaginário e foram uma mais-do-que-excelente distracção para estes meus dias de “prisão domiciliária”. Com a vantagem acrescida de estimularem a minha veia de viajante – e à minha já antiga vontade de conhecer a Islândia juntaram-se agora mais algumas ilhas do norte da Europa.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Cinza e poeira.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B22070f97/20163256_Dhk35.jpeg" alt="Cinza e poeira.jpg" width="319" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Título: Cinza e Poeira</p> <p style="text-align: justify;">Título original: Aska</p> <p style="text-align: justify;">Autor: Yrsa Sigurdardóttir</p> <p style="text-align: justify;">Ano de lançamento: 2010</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Editora: Quetzal</p> <p style="text-align: justify;">Publicação: 1ª edição – 2011</p> <p style="text-align: justify;">Número de páginas: 512</p> <p style="text-align: justify;">Tradução (do inglês): Lucília Filipe</p> <p style="text-align: justify;">Revisão: Pedro Ernesto Ferreira</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Trinta anos depois da erupção do Eldfell, Markús Magnússon regressa à casa da sua infância, agora já liberta das cinzas vulcânicas que a cobriram durante todos esses anos. Vai recuperar a caixa que uma amiga lhe tinha pedido para guardar na altura, mas ao fazê-lo descobre que essa caixa contém uma cabeça humana e que na cave também se encontram três cadáveres de pessoas desconhecidas. Quando, logo a seguir, a amiga aparece assassinada, Markús passa a ser o principal suspeito e Thóra Gudmundsdóttir, a sua advogada, vai ter de desvendar obscuros segredos do passado para resolver o mistério de tantas mortes e conseguir provar que o seu cliente é inocente.</p> <p style="text-align: justify;">“Cinza e Poeira” prendeu-me logo desde o início. Partindo de um acontecimento verídico, Yrsa Sigurdardóttir constrói um mistério em que vai largando, aqui e ali, pormenores macabros, fragmentos da história vistos pelos olhos de personagens secundárias, descrições de ambientes, pistas que não conseguimos discernir se são ou não importantes, tudo intercalado com episódios comezinhos da vida diária de uma vulgar advogada, contados com bastante humor e sentido crítico. As personagens principais da história têm personalidades variadas e fogem aos clichés habituais – e uma das mais engraçadas é sem dúvida Bella, a secretária “gótica” de Thóra, refilona e mal-humorada mas surpreendentemente perspicaz e por vezes mais eficiente do que o expectável.</p> <p style="text-align: justify;">Apesar de cheia de voltas, nós e becos sem saída (reconstruir acontecimentos passados trinta anos, quando a maioria das pessoas envolvidas já morreu, perdeu a memória ou era ainda demasiado jovem para se lembrar, não se revela tarefa fácil), a trama deste livro é perfeitamente verosímil e todos os factos aparentemente incongruentes acabam por se ir encaixando na história de forma lógica e satisfatória. E através dos comportamentos de várias personagens, o livro dá-nos ainda a conhecer algumas características da sociedade islandesa, o que é um motivo adicional de interesse. É certo que consegui perceber alguns dos mistérios ainda antes de chegar ao fim do livro, mas nem assim o final deixou de me surpreender – e se há coisa de que eu gosto num livro é não conseguir adivinhar o final.</p> <p style="text-align: justify;">A minha única nota menos boa vai para o trabalho de tradução e revisão. Definitivamente, vírgulas a mais num texto estragam bastante o gozo da leitura, principalmente quando esse uso não só é mau do ponto de vista do estilo como muitas vezes errado do ponto de vista gramatical. Tal como é incomodativa a mistura de forma incorrecta de diferentes pretéritos numa mesma frase ou parágrafo (mas sobre isto farei um destes dias um post especial). Traduzir bem não é traduzir à letra e todos sabemos que o português é gramaticalmente mais complexo que o inglês. Entre outras coisas, há que ter cuidado com os tempos dos verbos. E a revisão de um livro também serve para detectar estes usos mais baralhados (e baralhadores) da língua.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="O silêncio do mar.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B1a122bec/20163258_3HkqP.jpeg" alt="O silêncio do mar.jpg" width="318" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Título: O Silêncio do Mar</p> <p style="text-align: justify;">Título original: Brakiđ</p> <p style="text-align: justify;">Autor: Yrsa Sigurdardóttir</p> <p style="text-align: justify;">Ano de lançamento: 2011</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Editora: Quetzal</p> <p style="text-align: justify;">Publicação: 1ª edição – Julho 2016</p> <p style="text-align: justify;">Número de páginas: 448</p> <p style="text-align: justify;">Tradução (do inglês): Miguel Freitas da Costa</p> <p style="text-align: justify;">Revisão: Carlos Pinheiro</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A história de “O Silêncio do Mar” é contada em dois tempos: o presente, que começa quando um iate de luxo chega à marina de Reiquiavique sem que haja a bordo uma única pessoa, e o passado, que vai revelando o que se passou a bordo desse iate desde que saiu de Lisboa com destino à Islândia.</p> <p style="text-align: justify;">Mais uma vez, cabe à advogada Thóra Gudmundsdóttir tentar deslindar a razão do desaparecimento dos sete ocupantes do iate, entre eles um casal e as suas duas filhas gémeas de quatro anos. Com um toque macabro, nesta história as mortes vão sendo descobertas a ritmo de conta-gotas, tanto no passado como no presente, e o espectro do sobrenatural paira constantemente sobre os acontecimentos narrados a bordo do iate. Há um tom de tristeza generalizada em todo o livro, e se por um lado as revelações finais vêm iluminar a situação com uma dose generosa de realidade, por outro lado confirma-se a irreversibilidade de circunstâncias desde o início suspeitadas.</p> <p style="text-align: justify;">Apesar de ter gostado de “O Silêncio do Mar” – o primeiro livro que eu li desta escritora – não senti que fosse terrivelmente empolgante. Talvez tenha sido o tal ambiente de tristeza que perpassa por toda a história, ou talvez o facto de por vezes a acção parecer arrastar-se mais do que o esperado. Mas achei o enredo original, e bem conseguida a forma de explicar no final o encadeamento das situações.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">No entanto, é sobretudo por causa de “Cinza e Poeira” que Yrsa Sigurdardóttir faz agora parte do grupo de autores de histórias policiais que quero continuar a ler.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Interessante também é a revelação da escritora, numa entrevista que deu ao Público em Junho de 2011, de que a paisagem onde se vai desenrolar a história é o primeiro elemento que decide quando começa a escrever um livro.</p> <p style="text-align: justify;"><em>“(…) normalmente escolho a paisagem antes de ter a história. É a paisagem que me inspira o tipo de crime, por exemplo, ou qual o acontecimento que ali vai decorrer. É quase como se eu imaginasse a história como um filme cujo guião foi escrito de propósito para aquele cenário, que é tão ou mais importante do que aquilo que lá se passa.</em>”</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Shetland.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B4d011550/20163259_sBLlI.jpeg" alt="Shetland.jpg" width="500" height="500" /></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Produzida pela BBC Scotland, os primeiros episódios de “Shetland” foram exibidos em 2013, mas só agora é que estamos a ter oportunidade de ver em Portugal as três (curtas) temporadas desta série, mais especificamente no canal Fox Crime.</p> <p style="text-align: justify;">E acreditem que vale a pena ver! A produção é excelente (ou não fosse da BBC…), a realização não fica atrás, os actores convencem-nos (alguns deles, sobretudo os convidados especiais, são conhecidos do cinema e de outras séries), e a cinematografia é magnífica. Esqueçam as cenas de pancadaria a cada cinco minutos, as personagens femininas que resolvem casos em cima de saltos de 15 cm e trabalham 20 horas por dia sem nunca terem olheiras ou um cabelo fora do sítio, os <em>décors</em> arrumadinhos e tão limpos que até se pode comer no chão. Aqui tudo tem um ar real: as roupas amarrotam-se, as unhas sujam-se, e as personagens têm (pelo menos alguma) vida pessoal. Sim, às vezes também há tiros e correrias, e há cenas macabras, e os investigadores têm uma capacidade de trabalho inextinguível e por vezes o dom da ubiquidade. Mas são completamente credíveis, têm sotaque (e que sotaque!), têm barriga, cabelos brancos, barbas por fazer.</p> <p style="text-align: justify;">Depois há o cenário. O fantástico e peculiar cenário das ilhas Shetland e da Escócia: ventoso, cinzento, sem árvores, mas com uma beleza de cortar a respiração. Há muitas cenas filmadas a partir de longe ou em perspectiva aérea, e a banda sonora está em sintonia com o ambiente.</p> <p style="text-align: justify;">Embora as personagens principais se mantenham em todos os episódios, cada caso tem um enredo diferente dos outros o suficiente para não enjoar, e os níveis de mistério e de revelações estão bem doseados ao longo de cada episódio, evitando que o aborrecimento se instale. Os argumentistas fazem também um bom uso da História e das características culturais das Shetland, que são incorporadas na trama de modo a fornecerem-lhe uma boa e credível base de apoio – e mais motivos de interesse. Apesar da produção britânica e de ser baseada nos livros da premiada escritora inglesa Ann Cleeves, o tom geral da série aproxima-se mais dos policiais nórdicos do que dos tradicionais mistérios ingleses “à hora do chá”.</p> <p style="text-align: justify;">Ficam aqui dois <em>trailers</em> da série, em jeito de aperitivo:</p> <p class="sapomedia videos"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F6bvOxd4183E%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D6bvOxd4183E&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F6bvOxd4183E%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fnr-J5xTXz9U%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dnr-J5xTXz9U&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fnr-J5xTXz9U%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">E pronto. Fazendo um balanço da minha semana gripal, posso dizer que não foi um desperdício completo: uma leitura que me entusiasmou (Cinza e Poeira), uma série de que fiquei fã (Shetland), e mais uma escritora (Ann Cleeves) a descobrir num futuro próximo. Os meus genes de traça e de viajante estão definitivamente apaixonados pelas ilhas do Norte.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:25849 anacb 2016-12-24T11:47:00 O Sapo, o Natal, os livros, os destaques e os bloggers 2016-12-24T11:50:23Z 2016-12-24T11:51:47Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">O Sapo gosta de livros e do Natal. O Sapo Blogs gosta de posts sobre livros e sobre o Natal e sobre livros no Natal. Eu gosto de livros. Do Natal também, mas só daquele bom, o genuíno, aquele em que pensamos nos outros mais com o coração do que com a carteira, em que oferecemos “aquela” prenda para “aquela” pessoa, escolhida ou feita com cuidado, embrulhada com imaginação; aquele em que cozinhamos com carinho e pomos a mesa com satisfação porque sabemos que vamos estar junto dos que amamos (pelo menos de alguns, quando não é possível estar com todos os que nos estão no coração); aquele em que fazemos alguma coisa mais por alguém, mesmo que isso seja apenas uma infinitésima parte daquilo que o mundo precisa. Gosto de dar: prendas, abraços, sorrisos, uma palavra amável, o que me vier à cabeça. E embora goste mais de dar, também gosto de receber, claro. Sou uma sortuda, recebo sempre muita coisa (e livros!), mas sobretudo recebo carinho, de muitas formas, de muitas pessoas. Do Sapo blogs também, que gosta de livros e gosta que se ofereçam livros e gostou do meu post sobre livros para os amigos e voltou a destacá-lo hoje, véspera de Natal, e em grande. De toda a comunidade de bloggers do Sapo, que é generosa e tira um bocadinho do seu tempo para partilhar com todos nós o seu Natal, as suas opiniões, os seus gostos, as suas peripécias, bocadinhos da vida de cada um, que troca prendas e conselhos e desejos de Boas Festas. Gosto de estar aqui.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong>A todos os que por aqui andam e aos que trabalham para que nós possamos andar por aqui, desejo que tenham um Natal muito, muito feliz.</strong></p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Destaque SAPO Boas Festas.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gb6024dda/20140625_Wfr9t.jpeg" alt="Destaque SAPO Boas Festas.jpg" width="1024" height="512" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:25591 anacb 2016-12-19T11:25:00 Obrigada, SAPO! #8 2016-12-19T11:28:43Z 2016-12-19T15:07:23Z <p> </p> <p>E aqui está a minha primeira prenda de Natal: um destaque em grande na página do SAPO Blogs. Não podia começar melhor a semana :-)</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Destaque SAPO livros amigos 19-12-16.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0c0718c0/20132686_Cwgy2.jpeg" alt="Destaque SAPO livros amigos 19-12-16.jpg" width="500" height="270" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"><strong>Obrigada à incansável e simpática equipa do SAPO Blogs. E Feliz Natal!</strong></p> <p> </p> <p>*Actualização: E se uma prenda é bom, duas ainda é melhor. Também tenho direito a destaque na homepage do SAPO. Tãããão bom!!!</p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Destaque SAPO homepage livros amigos 19-12-16 marc" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B12074f01/20133142_LFHnb.jpeg" alt="Destaque SAPO homepage livros amigos 19-12-16 marc" width="500" height="284" /></p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:25206 anacb 2016-12-19T09:45:00 Entre aspas #12 Muriel Rukeyser 2016-12-15T22:59:06Z 2016-12-15T22:59:06Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #12 Muriel Rukeyser.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7212e65f/20126062_FdN3f.jpeg" alt="Entre aspas #12 Muriel Rukeyser.jpg" width="960" height="960" /></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:24866 anacb 2016-12-15T09:10:00 O livro certo para oferecer a cada amigo 2016-12-14T23:10:46Z 2016-12-14T23:10:46Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><strong>Todos os anos, pelo Natal, repete-se a angústia das prendas. O que dar a A, B ou C? Não queremos estar sempre a oferecer as mesmas coisas, mas às tantas a imaginação começa a falhar. Pois meus amigos, a solução não é nova mas é simples, e tem uma palavra: livros. Sim, livros. Há milhares, milhões de títulos disponíveis, por isso a fonte de inspiração é inesgotável. A pessoa em questão não gosta de ler? Não há problema, oferece-se um livro com fotos, ou que ensine a cozinhar, a cuidar do cão, ou a fazer qualquer outra coisa. Ainda por cima os livros têm a vantagem de ocupar pouco espaço, podem passar de pais para filhos (e os livros antigos têm sempre algum valor) e são facilmente armazenados ou vendidos se necessário. Tudo coisas boas. Ah, não sabem que livro hão-de oferecer? Não paniquem, este post é precisamente para vos sugerir algumas opções para aqueles amigos/amigas mais difíceis. Com a garantia de que já foram lidos por mim (com uma única excepção) e portanto têm “selo de qualidade” (cof! cof!). Serviço público, pois claro. E não precisam de agradecer.</strong></p> <p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="O livro certo para oferecer a cada amigo.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gef07f170/20124164_lnfeK.jpeg" alt="O livro certo para oferecer a cada amigo.jpg" width="667" height="768" /></p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><span style="text-decoration: underline; font-size: 14pt;">Para o amigo que se recusa a tirar a carta de condução</span></strong></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>O Diário da Bicicleta</em>, de David Byrne</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="o diário da bicicleta.jpeg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B58124760/20121159_Z2UIP.jpeg" alt="o diário da bicicleta.jpeg" width="322" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Talking Heads diz-vos alguma coisa? Exactamente: o autor deste livro é nada mais, nada menos do que o vocalista desta famosa banda, que nos conta em jeito de crónica os seus passeios de bicicleta em vários locais do mundo, o que observa durante esses passeios e as divagações que lhe ocorrem. Acutilante e elucidativo.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que adora vintage</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>O Tempo entre Costuras</em>, de Maria Dueñas</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="editing" style="padding: 10px 10px;" title="o tempo entre costuras.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B46122008/20121160_1y59K.jpeg" alt="o tempo entre costuras.jpg" width="323" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Ela vai adorar este movimentado romance histórico que conta as peripécias da vida de uma bem-sucedida modista que se envolve numa rede de espionagem durante a Segunda Guerra Mundial, tendo como pano de fundo Madrid, Lisboa e os enclaves espanhóis no norte de África.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo que é fã do Japão</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Mil Grous</em>, de Yasunari Kawabata</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="editing" style="padding: 10px 10px;" title="mil grous.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bea073b15/20121162_yrjtp.jpeg" alt="mil grous.jpg" width="329" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">A ritual cerimónia do chá, a delicadeza, a serenidade que esconde um turbilhão de emoções, a rigidez social, aquilo que é perceptível mas nunca é dito – o espírito japonês presente em cada linha desta história de desejo e sofrimento que envolve um homem e várias mulheres.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que é muito zen</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>O Tao do Pooh</em>, de Benjamin Hoff</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="O Tao do Pooh.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bf2023e86/20124168_eCNfK.jpeg" alt="O Tao do Pooh.jpg" width="342" height="500" /></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;">Conhecer os princípios do taoísmo pela mão do ursinho mais mediático e fofo da literatura? O resultado só poderia ser um livro diferente e muito divertido. (A minha opinião sobre este livro <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/ha-sempre-um-livro-desconhecido-a-11202" target="_blank" rel="noopener">está aqui</a>.)</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo super ansios</span><span style="text-decoration: underline;">o</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert</em>, de Joël Dicker</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="editing" style="padding: 10px 10px;" title="harry quebert.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B7b12c672/20122074_A4eVK.jpeg" alt="harry quebert.jpg" width="329" height="518" /></p> <p style="text-align: justify;">Quando ele ler este livro, das duas uma: ou tem as unhas todas roídas ao chegar ao fim, ou fica para sempre curado da ansiedade. Surpresas atrás de surpresas, é o que este livro nos traz. A minha opinião completa <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/uma-matrioska-na-montaha-russa-20091" target="_blank" rel="noopener">está aqui </a>.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo que quer fazer carreira na política</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Wolf Hall</em>, de Hilary Mantel</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="wolf hall.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B84029798/20122307_Z2iB0.jpeg" alt="wolf hall.jpg" width="330" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Wolf Hall conta parte da história de Thomas Cromwell, que ascendeu de homem comum a secretário do Cardeal Wolsey, depois a membro do Parlamento inglês e mais tarde a primeiro-ministro do rei Henrique VIII. Foi o grande impulsionador da Reforma inglesa, e o rei concedeu-lhe os títulos de barão e depois de duque, além de o nomear Vigário-Geral. Haverá melhor exemplo de carreira política? No final o feitiço virou-se contra o feiticeiro, e Cromwell acabou vítima do seu próprio sistema, como se sabe – e deste facto também haverá ensinamentos a tirar para quem quer dedicar-se à política…</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que é (ou quer ser) arquitecta</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Gaudí – Um Romance</em>, de Mario Lacruz</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="Gaudí.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B010201e1/20124182_8zWIi.jpeg" alt="Gaudí.jpg" width="332" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Um manuscrito inacabado sobre um grandioso arquitecto cuja morte comezinha deixou inacabada uma obra magnificente. Prova de que os homens morrem mas as obras dos que são grandes permanecem.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo que está sempre em viagem</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>As Cidades Invisíveis</em>, de Ítalo Calvino </strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="as cidades invisíveis.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bcd07acad/20123444_TvZnv.jpeg" alt="as cidades invisíveis.jpg" width="329" height="544" /></p> <p style="text-align: justify;">Ele já conhece o mundo inteiro, mas estas cidades não conhece certamente – nem nunca vai ter hipótese de conhecer…</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que gosta de viajar e escrever</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>1000 Places to See Before You Die</em>, de Patricia Schultz</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="1000 places.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B82125531/20122349_HO0Wq.jpeg" alt="1000 places.jpg" width="356" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Mas só mesmo se ela é daquelas que toma notas de tudo e mais alguma coisa quando vai de viagem, ou que escreve efectivamente sobre o que viu. Caso contrário, vai ficar desapontada quando abrir o livro…</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo que sonha ser comediante</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>A Doença, o Sofrimento e a Morte Entram num Bar</em>, de Ricardo Araújo Pereira</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="RAP.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bcf01647f/20122411_f69QS.jpeg" alt="RAP.jpg" width="500" height="500" /></p> <p>O resto do título – “uma espécie de manual de escrita humorística” – já lança o mote. E com ou sem humor, o RAP é sempre inspirador e bom de ler.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que adora dançar</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Tango</em>, de Elsa Osorio </strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="tango.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B6c023347/20123624_QjPu5.jpeg" alt="tango.jpg" width="329" height="506" /></p> <p style="text-align: justify;">O tango é uma dança, mas também uma forma de sentir, de ouvir, de respirar, de amar, de viver. Tal como o tango, este livro tem vários ritmos, e lê-se como quem dança.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo que gosta de jazz</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Mas é Bonito</em>, de Geoff Dyer</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="mas é bonito.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B19127230/20122358_POfZA.jpeg" alt="mas é bonito.jpg" width="329" height="515" /></p> <p style="text-align: justify;">O espírito do jazz transformado em livro, crónicas brilhantes – meio verdadeiras, meio ficcionadas – sobre o mundo e algumas personagens do jazz. Quase que um improviso (muito bem executado) em forma de leitura. Tema do <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/mas-e-bonito-de-geoff-dyer-a-volta-do-631" target="_blank" rel="noopener">meu segundo post neste blogue</a>.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que gosta de cozinhar</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>A Congregação da Cozinha</em>, de Nora Seton</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="a congregação da cozinha.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Bdb025d56/20124185_zd9Jl.jpeg" alt="a congregação da cozinha.jpg" width="318" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Este livro não é mastigável mas tem os cheiros e sabores e o calor de uma cozinha onde se vive, e onde a comida é preparada também com o coração. E como bónus ainda tem receitas.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para o amigo vegan</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>Vaca Sagrada</em>, de David Duchovny</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="vaca sagrada.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B2701c5cc/20122387_0YLG5.jpeg" alt="vaca sagrada.jpg" width="348" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">As aventuras e desventuras de uma vaca que de repente descobre que afinal as vacas não vão para o céu. Uma fábula bem-humorada do conhecido actor de Ficheiros Secretos e Californication. E se até a Elsie perdoa aos humanos, porque não podemos nós perdoar as fraquezas dos outros? Também já escrevi <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/somos-todos-animais-11448" target="_blank" rel="noopener">um post inteirinho sobre este livro</a>.</p> <p> </p> <p> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong><span style="text-decoration: underline;">Para a amiga que não suporta crianças</span></strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong><em>A Bofetada</em>, de Christos Tsiolkas</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><img style="padding: 10px 10px;" title="a bofetada.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Be807b370/20122396_EUnpd.jpeg" alt="a bofetada.jpg" width="330" height="500" /></p> <p style="text-align: justify;">Uma reacção emocional simples pode ter consequências verdadeiramente desastrosas? Ai pode, pode… A história deste livro é a prova. Depois de o ler, a vossa amiga vai parar para pensar (duas vezes, ou três, ou dez…) sempre que lhe apetecer dar um estalo numa criancinha.</p> <p> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:24718 anacb 2016-12-13T10:11:00 Sons para ler 2016-12-11T22:30:27Z 2016-12-11T22:30:27Z <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong>Embora consiga ler com qualquer ruído de fundo (e se o livro for daqueles mesmo bons, até me esqueço de que o mundo existe), por norma não sou grande apreciadora de estar a ler e ao mesmo tempo a ouvir música ou barulhos de televisão, por exemplo.</strong></span></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Sons para ler.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=GgZ9uKWJjCKng4NV3cvc" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Sons para ler.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gce02d1fa/20116324_bJnzi.jpeg" alt="Sons para ler.jpg" width="950" height="712" /></a></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">E se estiver a trabalhar em qualquer coisa que necessite de grande concentração, ou a escrever, então ainda é pior. Consigo e gosto de trabalhar a ouvir música, mas o som tem de estar baixinho, e só quando estou com trabalhos que faço em “piloto automático”. Estar a fazer uma tradução complicada, por exemplo, e ao mesmo tempo a ouvir alguém cantar ou falar, mesmo que seja numa das línguas em que estou a traduzir, cria-me confusão e parece que o trabalho não rende o mesmo.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Descobri agora que existe um site maravilhoso (que também tem app para Android e iOS) com um sem-número de sons ambiente que não só não atrapalham quem está a ler ou a trabalhar como ainda por cima podem ajudar-nos a concentrar, a descontrair ou até mesmo a adormecer, consoante o efeito pretendido.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Chama-se Ambient-Mixer, e o link é este: <a href="http://www.ambient-mixer.com/" rel="noopener">http://www.ambient-mixer.com/</a>.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Ambient-Mixer.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=7dMCzbWNC0yghiWy85Mi" rel="noopener"><img class="" style="padding: 10px 10px;" title="Ambient-Mixer.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gd512ea82/20116254_pzrOh.jpeg" alt="Ambient-Mixer.jpg" width="728" height="496" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Aqui é possível encontrar todo o tipo de ambientes sonoros e musicais, desde os provocados por máquinas ou seres humanos até aos sons da natureza de toda a espécie, e mesmo de supostas atmosferas “irreais”. Há também sons de ambientes relacionados com jogos e filmes. Alguns dos mais populares actualmente são, por exemplo, os das salas de alunos das casas de Gryffindor e de Slytherin, os da biblioteca de Hogwarts, ou o som de uma tempestade no expresso de Hogwarts. E se alguém não souber de que é que estou a falar, eu explico em duas palavras: Harry Potter.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Os ambientes disponibilizados podem ser misturados ao gosto de cada um, intensificando ou reduzindo (ou até mesmo eliminando) a frequência e o volume de cada um dos elementos sonoros que os compõem. O site oferece ainda a possibilidade de criar novos sons, à medida das nossas necessidades ou humor, e partilhá-los ou usá-los como fundo sonoro para vídeos. A utilização é gratuita excepto os downloads, que têm de ser pagos.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A app funciona de forma basicamente semelhante, mas tem uma particularidade extra bastante atractiva: o <em>night timer</em>, que permite adormecer tendo como som de fundo qualquer ambiente que se escolha e programar a hora de o desligar, para evitar que de manhã a bateria esteja descarregada. No entanto, na app não é possível carregar sons gravados por nós próprios, criar atmosferas a partir do zero ou descarregar ambientes sonoros em formato MP3, e a gravação de alterações feitas aos ambientes pré-existentes só é exequível pagando a versão completa da app.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Dêem uma vista de olhos ao tutorial:</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2F3pSBfBVu7PE%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3D3pSBfBVu7PE&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2F3pSBfBVu7PE%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">E estes são alguns dos meus ambientes favoritos:</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><a href="http://forest.ambient-mixer.com/summer-forest" target="_blank" rel="noopener">http://forest.ambient-mixer.com/summer-forest</a></p> <p style="text-align: center;"><a href="http://lotr-sounds.ambient-mixer.com/in-rivendell" target="_blank" rel="noopener">http://lotr-sounds.ambient-mixer.com/in-rivendell</a></p> <p style="text-align: center;"><a href="http://relaxing.ambient-mixer.com/fire-on-a-stormy-night" target="_blank" rel="noopener">http://relaxing.ambient-mixer.com/fire-on-a-stormy-night</a></p> <p style="text-align: center;"><a href="http://relaxing.ambient-mixer.com/stillness" target="_blank" rel="noopener">http://relaxing.ambient-mixer.com/stillness</a></p> <p style="text-align: center;"><a href="http://countryside.ambient-mixer.com/scottish-rain" target="_blank" rel="noopener">http://countryside.ambient-mixer.com/scottish-rain</a></p> <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: justify;">Absolutamente perfeitos para entrar em modo de leitura…</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:24488 anacb 2016-11-29T23:50:00 Entre aspas #11 Louisa May Alcott 2016-11-29T23:53:29Z 2016-11-29T23:53:29Z <p style="text-align: center;"> </p> <p style="text-align: center;"><span style="font-size: 14pt;"><strong>Louisa May Alcott, a autora do mais-que-célebre livro "As Mulherzinhas", faria hoje 184 anos.</strong></span></p> <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Entre aspas #11 Louisa May Alcott.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=wdkpqHco5rMtou6DiRQe" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #11 Louisa May Alcott.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G93128a5c/20088821_zo5iV.jpeg" alt="Entre aspas #11 Louisa May Alcott.jpg" width="960" height="960" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:24212 anacb 2016-11-24T09:14:00 J. K. Rowling 2016-11-23T22:39:42Z 2016-11-23T22:39:42Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: center;"><strong>Falar de Joanne Rowling e do seu sucesso internacional como escritora talvez seja um pouco repetitivo – parece que tudo ou quase tudo já foi dito sobre ela, por vezes até à exaustão, invenções misturadas com factos reais. Mas não há como ignorar o seu talento para a escrita de boas histórias.</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Harry Potter 1.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=qG5PngGwBhVuoEbBGNDo" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Harry Potter 1.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G961220cd/20073056_lb040.jpeg" alt="Harry Potter 1.jpg" width="1024" height="599" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Depois de Agatha Christie e sensivelmente a par de Enid Blyton, J. K. Rowling é a escritora inglesa de ficção mais vendida em todo o mundo. Aliás, estima-se que “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o primeiro livro da mais-que-famosa série, tenha já vendido 107 milhões de cópias – ultrapassando “Convite para a Morte”, o livro mais vendido de Agatha Christie (também publicado com o título “As Dez Figuras Negras”, mais semelhante ao inglês, “Ten Little Niggers”). No entanto, apesar de publicado originalmente em 1997, só em Outubro de 1999 foi impressa a primeira edição portuguesa de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Apaixonada pela leitura que sou e sempre fui, tentei transmitir essa paixão ao meu filho quase desde que ele nasceu – ainda bebé, teve direito a um livro de plástico para brincar no banho (era, mesmo a propósito, sobre um peixinho), e a colecção de livros que tinha no quarto já era invejável ainda antes de saber ler. Teve a sorte de nascer numa altura em que a literatura infantil estava em franca expansão, tanto em quantidade como em qualidade, pelo que não havia falta de material para alimentar o seu (felizmente!) crescente interesse.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Harry Potter 2.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=FFCslb6ZPE17SMqtaFn8" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Harry Potter 2.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G301203b1/20073063_yULKG.jpeg" alt="Harry Potter 2.jpg" width="576" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Sempre à procura de novidades apropriadas para a idade dele, foi no ano 2000 que um artigo numa revista me chamou a atenção para a série Harry Potter. O terceiro livro (“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”) tinha acabado de ser lançado em Portugal, mas à cautela comprámos-lhe apenas o primeiro (que já ia na terceira edição), não fosse dar-se o caso de ele não apreciar a história. Receios infundados: leu o livro num fim-de-semana e não descansou enquanto não lhe comprámos os outros dois, que também devorou num ápice. Não sei se foi por ter na altura a idade dos heróis, se porque estava com fome de novidades (já tinha lido tudo o que havia da colecção Uma Aventura, várias das histórias dos Cinco, e outros no género), a verdade é que a saga dos aprendizes de feiticeiro lhe caiu no goto e ele ficou fã. E de tal maneira que depois do quarto livro passou a ser incapaz de esperar pela edição portuguesa e passou a “obrigar-me”, de cada vez que saía um livro novo, a ir à meia-noite à livraria mais próxima comprar um exemplar em inglês mal ele era posto à venda.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Harry Potter 3.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=fzacUZapSFl8rg0u0idJ" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Harry Potter 3.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gff0175ef/20073064_ofuz2.jpeg" alt="Harry Potter 3.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Quanto a mim, só anos mais tarde é que tive a curiosidade de ler alguns destes livros e achei a escrita dela surpreendentemente boa, não tanto pelas histórias em si – que são obviamente destinadas a um público juvenil, apesar do ambiente de violência e morte subjacente e de traços de grande maturidade nalgumas personagens – mas mais até pelo nível de linguagem e da estrutura sintáctica, que é bem menos simplista do que se poderia esperar.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Apesar do sucesso, da celebridade e da fortuna que os sete livros da série Harry Potter lhe trouxeram e fizeram com que passasse de muito pobre a muito rica no espaço de cinco anos, Joanne Rowling não se deixou ficar quieta e partiu para outros géneros de escrita. Em Setembro de 2012, também como J. K. Rowling (o “K.” não faz parte do seu nome verdadeiro, pediu-o “emprestado” à sua avó paterna Kathleen), foi publicado “Uma Morte Súbita”, o primeiro livro de ficção destinado ao público adulto. Ao contrário do que o título parece dar a entender, não é um policial, embora por toda a história perpasse um certo ambiente de mistério, de coisas que apenas são subentendidas, de tragédia. O título em inglês é “The Casual Vacancy”, que poderá ser traduzido mais à letra como “A Vaga Fortuita”, e o enredo gira à volta dos efeitos provocados pela morte repentina de um membro da Associação Comunitária de uma pequena terrinha em Inglaterra, particularmente pelo facto de o seu lugar na referida Associação ficar vago e ter de vir a ser preenchido. É um bom livro, embora algo triste, e gostei bastante de o ler. Joanne Rowling retrata bem o ambiente de uma cidadezinha de província que um acontecimento vulgar, embora inesperado, abala profundamente a vários níveis – razão pela qual acaba por vir à superfície tudo o que há de melhor e pior nos seus habitantes, num crescendo de dramatismo que acaba por redundar numa verdadeira guerra.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Morte Súbita.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=gSkyhK4lJ7R4zzGwerld" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Morte Súbita.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G58127f53/20073068_QTkLr.jpeg" alt="Morte Súbita.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Em Abril de 2013, a editora inglesa Sphere Books publicou e distribuiu 1500 cópias de um livro policial com o título “The Cuckoo’s Calling” escrito por Robert Galbraith, que se soube desde o início ser um pseudónimo – embora não se soubesse de quem. O segredo não conseguiu ficar guardado durante muito tempo e em Julho do mesmo ano o jornal Sunday Times divulgou que a escritora por detrás do pseudónimo era Joanne Rowling, depois de uma fuga de informação via Twitter vinda de pessoas ligadas a uma firma de advogados com quem a escritora trabalhava. Em entrevista recente à emissora de rádio americana NPR, Joanne revelou que tinha sido para ela “um prazer muito privado” escrever sob pseudónimo, sobretudo porque o facto de ser a autora de Harry Potter colocava sobre si uma enorme pressão e ela tinha vontade de criar algo bastante diferente, que tivesse sucesso ou fracasso por mérito próprio.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">O livro foi publicado em Portugal pela Presença em Outubro do mesmo ano com o título “Quando o Cuco Chama”. Com toda a publicidade gerada pela polémica da descoberta intempestiva da verdadeira autora, o lançamento teve obviamente honras de destaque nas livrarias e na imprensa. Seguiram-se-lhe “O Bicho-da-Seda” em Janeiro de 2015 e “A Carreira do Mal” em Outubro deste ano, que acabei agora de ler e despertou em mim a vontade de escrever este <em>post</em> (mais ainda porque descobri entretanto que ainda existe quem goste de ler mas não saiba que Robert Galbraith e J.K.Rowling são uma e a mesma pessoa).</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Estes três livros têm em comum os mesmos protagonistas: Cormoran Strike, um detective particular e ex-investigador da Polícia Militar, que perdeu uma perna no Afeganistão e é filho ilegítimo de um famoso cantor rock; e a sua assistente Robin Ellacott, rapariga de província desde sempre fascinada pelo trabalho de investigação policial e dotada de grande perspicácia e imaginação. Ambos têm um passado (e presente) atribulado e cheio de fantasmas, e deixam que os seus sentimentos, inseguranças e intuição interfiram nas investigações de que são encarregados – o que por vezes os coloca em perigo, mas sempre (obviamente!) com bons resultados. Em volta deles gravitam mais algumas personagens secundárias: irmãos e irmãs, pais, noivo e namoradas, agentes da Polícia, cada um com características de personalidade bem definidas e que servem sobretudo para agitar a vida pessoal dos protagonistas e para enriquecer a história de cada livro com acontecimentos e pormenores, muitos deles à margem da investigação.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Cormoran Strike 1.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=iyzMZsjchICtDZbMF3J1" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Cormoran Strike 1.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gde12bc1d/20073086_bW6vC.jpeg" alt="Cormoran Strike 1.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Nesta série – que a autora já admitiu ir ter nove livros no total, mais dois do que a saga Harry Potter – Cormoran Strike é o arquétipo do anti-herói que só o é aparentemente, pois na realidade acaba por se revelar um herói verdadeiro: homem destemido e defensor da justiça e da verdade, reservado e respeitador mas cheio de traumas de infância e com um passado atribulado, a que se junta a amargura provocada pelo acidente que lhe custou uma perna e a adorada carreira militar, e também a sombra de uma antiga história de amor que foi tudo menos pacífica.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Robin é o seu contraponto, a típica rapariga vinda de uma família tradicional, sensível, bem comportada e prestes a casar. Em comum com Strike tem a inteligência, a curiosidade, o gosto pela investigação, e um acontecimento traumatizante no seu passado (que só ficamos a conhecer no terceiro livro).</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Como é normal acontecer em todos os enredos que envolvem protagonistas de sexos diferentes, e apesar de Robin estar noiva, existe entre ambos uma implícita atracção, que nenhum deles assume mas vai aumentando e tornando-se mais perceptível em cada livro. Esta negação, por parte dos protagonistas, de sentimentos que parecem mais que óbvios para quem lê é logicamente mais um factor de interesse e de “suspense”, inteligentemente pensado para nos manter na expectativa e a ansiar pelo próximo livro.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Cormoran Strike 2.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=bZOMBQZawiCRgkl7BdH0" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Cormoran Strike 2.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G5a0175f3/20073145_3qgJU.jpeg" alt="Cormoran Strike 2.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">“Quando o Cuco Chama” foi para mim uma agradável surpresa. Li-o assim que saiu e restaurou a minha fé nos policiais, numa altura em que eu andava um bocado arredada do género (apesar de ser um dos meus favoritos) e achava que depois de Stieg Larsson já pouco se conseguiria fazer de diferente. O enredo e as personagens criadas pela escritora despertaram o meu interesse e mantiveram-me agarrada ao livro sem ponta de aborrecimento até ao final que, como convém, é surpreendente. Não vou dizer que Joanne Rowling reinventou o policial – nada disso. Muito pelo contrário, simplesmente pegou nos elementos clássicos de um romance policial e vestiu-lhes uma roupa nova, devidamente actualizada para o contexto dos nossos dias, misturando-os com uma pitada de violência q.b. e um pouco de drama pessoal e social (talvez inspirada pelos policiais nórdicos…) para evitar que as personagens sejam completamente estereotipadas. O resto ficou por conta da sua própria imaginação que, como deu para perceber nos seus primeiros livros, é bastante produtiva.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Não posso dizer que “O Bicho-da-Seda” me tenha causado a mesma empolgação. Achei a história algo menos interessante e mais confusa do que a do primeiro livro, e fiquei ligeiramente (mas só ligeiramente) decepcionada. Mas “A Carreira do Mal” obliterou completamente essa impressão menos boa com que tinha ficado. É, quanto a mim, o melhor dos três livros – e isto apesar de ter sido o único em que consegui deduzir antecipadamente quem seria o “mau da fita”. Mais movimentado, violento e dramático do que os anteriores, o enredo deste livro gira à volta da vida pessoal dos protagonistas da série. Sabe-se desde o início que o criminoso é alguém que procura vingar-se de Cormoran, pois de vez em quando é introduzido um capítulo em que o narrador é o próprio assassino. Apercebemo-nos também de que essa vingança irá envolver Robin como vítima, enquanto se desenrola em paralelo o drama do seu casamento iminente, cuja concretização já de si periclitante fica seriamente comprometida pela revelação de acontecimentos passados. Aliás, desde o primeiro livro que a antipatia por Matthew, o noivo de Robin, vai propositadamente aumentando, e de certeza que não sou a única a torcer para que ela abra os olhos e perceba finalmente que o seu noivo é um autêntico traste.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">E sobre os livros não vou dizer mais nada a não ser isto: são um excelente entretenimento, muito acima da média, e aconselho vivamente a sua leitura.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images"><a class="media-link" title="Strike Tv Series.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=B4rZFRecBCicEC0HLoz9" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Strike Tv Series.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G8512b898/20073107_lOkZc.jpeg" alt="Strike Tv Series.jpg" width="1024" height="681" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">O êxito da série Cormoran Strike levou a que, como seria de esperar, os livros já estejam a servir de base para uma série televisiva, cujas filmagens tiveram início este mês em Londres. Strike vai ser interpretado pelo actor britânico Tom Burke (já conhecido das recentes séries “Os Mosqueteiros” e “Guerra e Paz”), enquanto que o papel de Robin foi confiado à encantadora Holliday Grainger (que encarnou Lucrécia na série “Os Bórgia”). Podem ir seguindo as novidades pelo Twitter (<a href="https://twitter.com/RGalbraith" target="_blank" rel="noopener">https://twitter.com/RGalbraith</a>). Como fã de séries inglesas que sou, espero sinceramente que não demorem muito tempo para a transmitir.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">E já agora, que venha depressa o próximo livro.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><span style="font-size: 12pt;"><em>Para conhecerem mais pormenores sobre Joanne Rowling e as suas obras aconselho a visita aos sites oficiais da escritora: <a href="http://www.jkrowling.com/" target="_blank" rel="noopener">http://www.jkrowling.com/</a> e <a href="http://robert-galbraith.com/" target="_blank" rel="noopener">http://robert-galbraith.com/</a>.</em></span></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:23956 anacb 2016-11-02T13:06:00 Obrigada, SAPO! #7 2016-11-02T13:08:43Z 2016-11-02T13:09:20Z <p> </p> <p style="text-align: justify;">O Sapinho voltou a destacar mais um post dos meus – foi ontem, mas ando tão atarefada que só hoje dei por isso.</p> <p style="text-align: justify;">E nesta época só podia ser sobre ficção fantástica, pois está claro J))</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Destaque SAPO Terror 01-11-16.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=0230emSiC8V9EQRCIoVS" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Destaque SAPO Terror 01-11-16.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B31126a81/20020398_ziz39.jpeg" alt="Destaque SAPO Terror 01-11-16.jpg" width="500" height="383" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;"><strong>Mais uma vez, obrigada à equipa do Sapo Blogs!</strong></p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:23651 anacb 2016-10-31T09:11:00 Terror, horror, fantástico e coisas assim 2016-10-30T01:25:13Z 2016-10-30T01:25:13Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Desde que me lembro, sempre tive medo do escuro. Medo mesmo, a ponto de durante algum tempo precisar de dormir com uma lamparina acesa (sim, naquela altura ainda se usavam lamparinas) à entrada do quarto. A minha nictofobia durou muitos anos, e já era bem adulta quando finalmente passou. Escusado será dizer que fui também uma miúda facilmente impressionável, por isso nunca convivi muito bem com histórias que envolvessem monstros, seres sobrenaturais e afins. Estranhamente, o sangue nunca me incomodou – podia ver ou ler sobre as maiores sangueiras do mundo, que isso não me afectava. Mas bastava lançarem um espírito demoníaco ou um <em>alien</em> predador na história para me verem toda encolhidinha de medo.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="terror, horror, fantástico e coisas assim.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=0UNNT2EB0cdztSPstPGo" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="terror, horror, fantástico e coisas assim.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G8901be34/20012131_QTK1Q.jpeg" alt="terror, horror, fantástico e coisas assim.jpg" width="1024" height="373" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Tinha aí uns quinze anos quando li “O Exorcista” de William Peter Blatty, que tinha na altura dado origem ao filme. Acabei de o ler já noite dentro, e estava tão aterrorizada que me levantei e fui acendendo as luzes todas da casa até chegar à divisão onde a minha irmã dormia para a acordar sem cerimónias e lhe pedir para ficar a falar comigo durante um bocado.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A experiência foi suficientemente traumatizante para me manter arredada de livros do género durante muitos anos.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Mas o mesmo não posso dizer em relação aos filmes, pois de vez em quando lá caía na asneira de ir ver um filme de terror, fosse porque desconhecia que era desse género, fosse porque a curiosidade falava mais alto do que a minha cautela, fosse porque alguém acabava por me convencer a ir com o argumento de que estaria a perder “um filme muito bom”. E se “O Tubarão”, por exemplo, não me afectou por aí além, o mesmo não posso dizer do “Drácula” na sua versão de 1979, de “A Semente do Diabo” (mais conhecido pelo título original, “Rosemary’s Baby”), ou de “Alien, o 8º Passageiro” (o primeiro filme da saga), que me deram pesadelos durante inúmeras noites – isto só para citar alguns.</p> <p style="text-align: justify;">  </p> <p style="text-align: justify;">A verdade é que eu cresci numa época em que a ideia do mundo era transmitida às crianças como um lugar cheio de perigos desconhecidos, fossem eles de origem humana ou sobrenatural. Até as histórias supostamente infantis mais populares pareciam ter como missão aterrorizar mais do que distrair: um lobo que come pessoas, uma bruxa que oferece uma maçã envenenada, uma casinha de chocolate onde vive uma bruxa que come criancinhas, um país onde a rainha ordena indiscriminadamente que se cortem cabeças… Convenhamos que nada disto era propriamente adequado a tranquilizar espíritos timoratos.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Era uma altura em que os dinossauros eram monstros horrorosos e destruidores como a “Godzilla”, os vampiros eram seres demoníacos sem um pingo de bondade no corpo, e os zombies apareciam não se sabe bem porquê e eram praticamente invencíveis. Hoje mudou tudo: os dinossauros viraram bichos fofinhos e maioritariamente inofensivos, os vampiros e lobisomens são personagens românticos e incompreendidos, e os mortos-vivos são as pobres vítimas de uma qualquer experiência que correu mal e há até quem se dedique a tentar encontrar uma cura para a sua doença. Talvez por oposição ao mundo, que parece estar cada vez mais perigoso e louco, a imagem dos misteriosos representantes do Mal de outros tempos tem vindo a ser progressivamente “adocicada”.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Apesar disso – ou, quem sabe, por causa disso - o género está bem e recomenda-se, tanto na literatura como no cinema.</p> <p> <img style="padding: 10px; width: 631px; height: 444px; display: block; margin-left: auto; margin-right: auto;" title="prateleira terror.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gaf12076e/20012133_fSLae.jpeg" alt="prateleira terror.jpg" width="1024" height="720" /></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">E a propósito de género, de que é que falamos quando falamos em ficção de terror, horror, fantástico e etc.?</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A linha que divide o terror do horror é tão fina que muitas vezes nem conseguimos separar um do outro. Mas existe alguma diferença. O terror é geralmente descrito como sendo um sentimento de pavor, de medo antecipado, quando achamos que algo de muito mau vai acontecer. Já o horror é o que sentimos quando vemos ou ouvimos algo que nos causa repulsa, ou passamos por uma experiência extremamente desagradável. O terror está relacionado com os nossos medos e ansiedades, com a nossa imaginação, e anda frequentemente de mãos dadas com o <em>suspense</em>, enquanto o horror é uma reacção involuntária na sequência de um acontecimento que nos choca ou amedronta.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">A ficção fantástica é toda aquela que aborda factos que fogem à nossa lógica e à nossa realidade. Pode contar-nos histórias de fantasia, sobrenaturais ou ir pelos caminhos da ficção científica. Pode manter-nos em suspense, criar atmosferas de terror e causar-nos horror. Pode também encantar-nos, abrir as comportas da nossa imaginação e levar-nos a mundos desconhecidos para experimentarmos emoções contraditórias. E está de muito boa saúde nos dias que correm.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Na verdade, cada vez há mais público fiel ao género. E mais escritores para o alimentarem, que lançam novidades a um ritmo alucinante e para todos os gostos. Na onda deste filão recém-descoberto, os clássicos são revisitados e reinventados, e alguns viram autores de culto. Criam-se sequelas e prequelas, há adaptações de livros para a tv e o cinema, e os argumentos de filmes e séries transformam-se em livros.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="fantástico clássicos.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=LTUup31okTETWWmJbYzK" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="fantástico clássicos.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G0b12c22b/20012151_9AaR9.jpeg" alt="fantástico clássicos.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p>  </p> <p style="text-align: justify;">Apesar de ter ultrapassado a minha nictofobia de forma natural e sem dar conta, a minha relação com a ficção de terror continua atribulada. Por vezes adoro, por vezes deixa-me inquieta e detesto. Mas só mesmo a de terror, que de resto sou bastante fã da ficção fantástica, e isto já desde miúda – muito provavelmente desde que a minha mãe me deu “Os mais belos contos de fadas” (de que já falei <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/tag/contos+de+fadas" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>) e mais tarde alguns livros de Júlio Verne, que foi sem dúvida o precursor da ficção científica moderna. Em adolescente li os clássicos “A guerra dos mundos” de H.G.Wells, “1984” de George Orwell, “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, e “Tales of Mistery & Imagination”, uma compilação de alguns dos melhores contos de Edgar Allan Poe, que ainda hoje continuam a ser dos meus livros preferidos. E “Fahrenheit 451” e outros de Ray Bradbury, além das obrigatórias obras de culto “Drácula” de Bram Stoker e “Frankenstein” de Mary Shelley. Mais tarde “descobri” Tolkien e o seu “Hobbit”, Isaac Asimov e a sua “Fantástica viagem ao cérebro”, e a saga “Dune” de Frank Herbert.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><img style="padding: 10px 10px;" title="fantástico.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G61013426/20012145_6Fhva.jpeg" alt="fantástico.jpg" width="1024" height="768" /></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Li “Contacto”, de Carl Sagan, assim que saiu, vários de Michael Crichton (o autor de “Parque Jurássico” e “A Esfera”) e “Um estanho numa terra estranha” do polémico Robert Heinlein. Depois viciei-me em Stephen King (também já falei sobre ele <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/stephen-king-20565" target="_blank" rel="noopener">neste post</a>) e li também George R.R.Martin, o autor das “Crónicas de gelo e fogo”, que deram origem à série “A Guerra dos Tronos”. E sabiam que até Isabel Allende já fez “uma perninha” no campo do fantástico? Não falo de “A casa dos espíritos”, que se enquadra na corrente do realismo mágico, mas sim de uma trilogia que escreveu entre 2002 e 2004 e dá pelo nome genérico de “As aventuras da Águia e do Jaguar” e cujos protagonistas são dois adolescentes e um macaco que se vêem enredados em estranhas aventuras em vários pontos do globo – histórias onde as espiritualidade e o sobrenatural se entrelaçam com uma nítida preocupação ecológica e antropológica.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="isabell allende.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=ln5YJtI0CNP5c4ZLqIVs" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="isabell allende.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gfe12ccdd/20012146_7vCT8.jpeg" alt="isabell allende.jpg" width="576" height="768" /></a></p> <p> </p> <p>Podia ainda falar de Anne Rice, Clive Barker, Justin Cronin ou Gillian Flynn, e de muitos outros, ou das famosíssimas J.K.Rowling e Stephanie Meyers, mas então é que este post não terminava nunca…</p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">É como eu disse acima: a ficção fantástica, seja de terror ou outra, está de boa saúde e a florescer a olhos vistos. Eu gosto. E vocês?</p> <p style="text-align: justify;"> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:23318 anacb 2016-10-06T09:14:00 Entre aspas #10 Annie Dillard 2016-10-05T21:58:10Z 2016-10-05T21:58:10Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Entre aspas #10 Annie Dillard.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=Tet1r8S7qbSwuCcBpGef" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #10 Annie Dillard.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G1101fd6a/19953717_1yeY5.jpeg" alt="Entre aspas #10 Annie Dillard.jpg" width="960" height="960" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:23287 anacb 2016-10-03T09:18:00 O Gerente da Noite 2016-10-01T21:34:26Z 2016-10-01T21:34:26Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Já aqui<a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/falando-de-filmes-so-para-variar-2571" target="_blank" rel="noopener"> falei por alto de cinema</a> e da <a href="http://genedetraca.blogs.sapo.pt/dos-livros-e-seus-filmes-9098" target="_blank" rel="noopener">relação estreita entre livros e filmes</a>, mas hoje vou falar de televisão. Mais concretamente, de séries televisivas.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Longe vai o tempo em que as séries que víamos na televisão eram os parentes pobres do cinema. Cá em Portugal quase se resumiam a séries policiais americanas e a uma ou outra produção inglesa ou eventualmente com outro país de origem (não estou obviamente a incluir as <em>sitcoms</em>, que sempre abundaram). Tinham em comum o facto de serem habitualmente interpretadas por actores e actrizes pouco ou nada conhecidos no mundo cinematográfico – eram assim como que um laboratório para novos actores, e para quem é mais jovem ou tem memória curta deixem-me dar-vos alguns exemplos de que me lembro assim de repente: Anthony Hopkins foi o Pedro de “Guerra e Paz”, na adaptação que a BBC fez em 1972 da obra de Lev Tolstoi; Meryl Streep e James Woods fizeram par romântico na mini-série “Holocausto” exibida em 1978 pela NBC; Jeremy Irons foi um dos protagonistas de “Reviver o passado em Brideshead”, uma série de 1981 produzida pela Granada Television com base no romance de Evelyn Waugh. Estas e outras séries foram a rampa de lançamento para grandes actores do cinema actual.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">No entanto, apesar da sua inegável qualidade – sobretudo das séries britânicas, que foram e continuam a ser do melhor que por aí anda – as séries televisivas só há relativamente poucos anos adquiriram um estatuto autónomo de produto com interesse e qualidade no qual vale a pena apostar, com retorno garantido. Os bons resultados estão à vista, com produções milionárias e ao nível do melhor cinema, dirigidas por excelentes realizadores e protagonizadas por actores famosos – ao imporem-se como produto independente e valorizado, as séries televisivas conseguiram esbater a fronteira rígida que subsistiu durante muito tempo entre actores de televisão e actores de cinema (que curiosamente nunca existiu entre cinema e teatro, talvez por ambas as artes estarem associadas a uma ideia de qualidade e elitismo que a televisão nunca teve). E quem ficou a ganhar fomos nós, o público.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">As séries britânicas sempre foram das minhas favoritas. Não há quem lhes chegue aos calcanhares sobretudo no que toca a recriar épocas passadas e romances históricos, e os actores e actrizes oriundos das ilhas britânicas (e para quem tiver dúvidas, as ilhas britânicas incluem a Irlanda) são dos melhores do mundo. Tão bons que conseguem imitar perfeitamente o sotaque norte-americano e por vezes nem nos damos conta de que não foram realmente nados e criados nos Estados Unidos. Dúvidas? Então aqui vão alguns nomes ao acaso: Audrey Hepburn, Michael Caine, Kate Winslet, Idris Elba, Ralph Fiennes, Keira Knightley, Ewan McGregor, Catherine Zeta-Jones, Hugo Weaving, Sam Neill, Vanessa Redgrave, Gerard Butler, Kiefer Sutherland, Orlando Bloom, Rachel Weisz, Christian Bale, Jude Law, Carey Mulligan, John Hurt, Jason Statham, Rosamund Pike, Tim Roth, Julie Christie, Christopher Lee, Damian Lewis, Joan Collins, Gary Oldman, Ian McKellen, Kate Beckinsale, Colin Farrell. E estes são só alguns dos que mais associamos ao cinema americano, porque a lista é quase infindável.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Bom, mas vem isto tudo a propósito de quê?</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">É que fiquei apaixonada por uma mini-série de que já tinha ouvido falar bastante mas só agora tive oportunidade de ver (no canal AMC): “O Gerente da Noite”, a partir do livro homónimo de John Le Carré. São apenas seis episódios, mas muito intensos, bem realizados, bem produzidos, e sobretudo muito bem interpretados.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="the night manager.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=cq5MgCDtiAdGa5Ng7boC" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="the night manager.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/B0501ec6a/19940992_IBMwU.jpeg" alt="the night manager.jpg" width="384" height="500" /></a></p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">John Le Carré, cujo verdadeiro nome é David John Moore Cornwell, trabalhou durante alguns anos no MI6 (o serviço britânico de “informações”) e os seus primeiros livros giram à volta da espionagem no tempo da Guerra Fria, tendo a temática mudado depois para os conflitos religiosos e/ou éticos mas sempre com a espionagem como pano de fundo. Vários deles foram adaptados ao cinema, com mais ou menos sucesso, como “A Casa da Rússia”, “O Alfaiate do Panamá” ou “O Fiel Jardineiro”, entre outros. Os seus livros têm em comum enredos intrincados, personagens profundamente humanas e conflitos morais, mas a linha entre o bem e o mal está sempre nitidamente definida.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="john le carré.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=P5fMBiu8r3po0iI9lck2" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="john le carré.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gab017a81/19940996_jcEkr.jpeg" alt="john le carré.jpg" width="440" height="268" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">A história de “O Gerente da Noite” centra-se em Jonathan Price, um gerente de hotel que se vê inadvertidamente recrutado para se infiltrar na <em>entourage</em> de um poderoso negociante de armas que os serviços secretos britânico e americano querem apanhar. Roper é um homem ganancioso e sem escrúpulos que esconde habilmente as suas actividades ilícitas atrás de uma capa de filantropia e de uma vida privada inexpugnável. Empurrado pelos serviços britânicos de espionagem e por uma vontade pessoal de vingança – o assassinato de uma mulher com quem tinha tido um breve relacionamento – Price vai construir para si um passado violento e sujeitar-se a tudo para penetrar no mundo privado de Roper e tentar obter provas da sua má conduta.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">O argumento da série tem diferenças substanciais em relação ao livro, mas o resultado final é muitíssimo bom. Uma das maiores alterações é o facto de o agente que convence Price a aproximar-se de Roper ser na série uma mulher (Angela Burr), e não um homem como no livro (Leonard Burr). Mais ainda, Angela Burr está grávida (devido à própria e muito visível gravidez da actriz Olivia Colman), o que dá à personagem e consequentemente à história uma dimensão mais humana e real. Além disso, a acção foi transportada para a actualidade, com o cartel colombiano de droga do livro a ser substituído por negociantes de origem árabe e um lógico deslocamento geográfico dos eventos. E o final da série é também bastante diferente – mas quanto a isso não vou falar para não ser <em>spoiler</em>.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Com tudo isto, já devem ter percebido que a série é de produção maioritariamente britânica (da BBC, em parceria com as americanas AMC e Ink Factory), razão pela qual os actores também são quase todos britânicos, com grande destaque para os protagonistas: Tom Hiddleston (Jonathan Price) e Hugh Laurie (Richard Roper). Para os mais distraídos, Hiddleston é o “Loki” de “Thor” e “Os Vingadores”, e Laurie é nada mais nada menos do que o famoso “Dr. House”. Qual deles o melhor… Hiddleston já provou várias vezes que é bem mais do que uma carinha laroca, e arrisca-se seriamente a ser o próximo Bond – aliás, este seu Jonathan Price tem o factor <em>coolness</em> exacto para um hipotético 007, faltando-lhe apenas uma atitude algo mais <em>blasé</em> e quiçá mais “activa” para ser um <em>alter ego</em> do famoso espião (que tem vindo progressivamente a tornar-se mais “humano” de actor para actor). Quanto a Hugh Laurie, descoberto há uns anos pela América, tem carreira já bem mais longa e firme no Reino Unido. Além de House, por cá vimo-lo sobretudo em comédias, nomeadamente em várias das hilariantes séries “Blackadder”, em “A Bit of Fry and Laurie” (com o também excelente Stephen Fry) e nos filmes “Stuart Little”, mas ele é um artista multifacetado que além do mais canta, toca e tem dado a voz a inúmeras personagens de filmes de animação.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">“O Gerente da Noite” entusiasmou-me também pelos bem escolhidos cenários da série: Maiorca, Istambul, Cairo, Devon e Zermatt. Embora na realidade as cenas passadas no Cairo e Istambul tenham sido rodadas em Marrocos e as de Zermatt quase todas em estúdio, há belíssimas imagens das cidades e paisagens que são mostradas em separador. Já a mansão de Roper em Pollença (norte de Maiorca) existe realmente; tem o nome de Sa Fortaleza, data do séc. XVII e pertence ao banqueiro inglês Lord James Lupton, sendo a propriedade mais cara de Espanha (foi comprada em 2011 por 40 milhões de euros). As imagens aéreas da zona filmadas para a série são de tirar o fôlego e fazem jus à beleza do lugar.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Só o trailer já é qualquer coisa de especial:</p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2Fg-ZcaKdvML8%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3Dg-ZcaKdvML8&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2Fg-ZcaKdvML8%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">E já que falo de séries inglesas, deixo aqui a sugestão de algumas das minhas preferidas, para quem ainda não as tiver visto: Sherlock, Luther, Downton Abbey, The Office, The Bletchley Circle, Coupling, Prime Suspect, Two Pints of Lager and a Packet of Crisps, Pride and Prejudice, The Paradise. Há comédia, drama, crime e mistério, história, grandes romances – um pouco de tudo, para todos os gostos. E ao alcance de uns cliques.</p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:22812 anacb 2016-09-26T09:07:00 Entre aspas #9 Roberto Bolaño 2016-09-25T19:39:22Z 2016-09-25T19:39:22Z <p> </p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="Entre aspas #9 Roberto Bolaño.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=UnGgrSD46YNCMmTSDFON" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="Entre aspas #9 Roberto Bolaño.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G7016965b/19927107_lTl6i.jpeg" alt="Entre aspas #9 Roberto Bolaño.jpg" width="960" height="960" /></a></p> <p> </p> urn:lj:blogs.sapo.pt:atom1:genedetraca:22656 anacb 2016-09-12T09:09:00 Ken Follett 2016-09-12T01:27:39Z 2016-09-12T01:27:39Z <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"><strong>Não é muito frequente para um escritor que passou uma boa parte da sua vida a escrever <em>thrillers</em> e livros sobre espionagem acabar por vir a ser aclamado mundialmente devido a um romance histórico. Mais estranho ainda é quando esse romance atinge o sucesso mundial mais de dez anos depois de ter sido escrito. E no entanto, em traços gerais isto aplica-se exactamente a Ken Follett, o que mostra que os caminhos da literatura são por vezes misteriosos.</strong></p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="IMG_20160911_120541 cópia.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=mftS8Y5nd91Hr79GupwT" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20160911_120541 cópia.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Ge70114b4/19898657_grK1l.jpeg" alt="IMG_20160911_120541 cópia.jpg" width="1024" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Nascido no País de Gales em 1949, no rescaldo da 2ª Guerra Mundial, Follett não teve obviamente uma infância fácil, menos ainda por ser o filho mais velho de um casal profundamente religioso que nem sequer permitia que os seus três filhos ouvissem rádio, muito menos que vissem televisão ou fossem ao cinema. A família mudou-se para Londres quando ele tinha dez anos, o que lhe permitiu mais tarde estudar filosofia na Universidade. E é precisamente devido a estes factores que Ken Follett diz ter tido a possibilidade de se tornar escritor: a falta de acesso aos meios de comunicação social apurou-lhe o gosto pelas histórias que a mãe lhe contava; a necessidade de se distrair obrigou-o a recorrer à imaginação e a aprender cedo a ler; as dificuldades financeiras próprias do período em que cresceu levaram-no a fazer da biblioteca uma sua grande aliada; e o curso de filosofia ajudou-o a desenvolver as suas capacidades imaginativas ao ter de encontrar respostas credíveis para questões difíceis.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Diz ele na sua biografia: “Eu não possuía muitos livros e sempre dei graças pela existência da biblioteca pública. Sem livros gratuitos não me teria tornado um leitor voraz, e se não formos leitores também não seremos escritores”. Esta ligação da leitura à escrita não é propriamente um segredo, mas sabe sempre bem ouvi-la da boca de quem escreve.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Começou a carreira de escritor pelo jornalismo, mas foram problemas financeiros que o empurraram para a ficção, quando já trocara os jornais por um cargo numa pequena editora londrina, a Everest Books. Os seus primeiros dois livros foram publicados em 1974 sob o pseudónimo de Simon Myles. Mas o sucesso chegou só em 1978 com “O Buraco da Agulha” (mais recentemente editado em Portugal com o título “O Estilete Assassino”), que chegou a n.º 1 no top de vendas nos EUA e pelo qual a associação <em>Mystery Writers of America</em> lhe deu um prémio em 1979. O livro serviu de base para um excelente filme inglês de 1981 com o mesmo título – e se nunca o viram, aconselho-o vivamente.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">“A ficção tem de envolver emocionalmente o leitor. Todas as coisas dramáticas que acontecem nos <em>thrillers</em> só funcionam se os leitores se preocupam com as pessoas envolvidas.” E esta é sem dúvida uma das lições que Follett aprendeu cedo na sua carreira de escritor.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Estranhamente (ou talvez porque teve o americano Al Zuckerman como amigo e agente literário), durante muitos anos Ken Follett foi mais vendido e apreciado nos Estados Unidos do que na Europa, onde só começou a despertar verdadeiramente as atenções por volta do ano 2000 depois de já ter publicado 30 livros. Mesmo “Os Pilares da Terra”, publicado inicialmente em 1989, só atingiu na altura o topo das vendas em cinco países – muito longe do <em>boom</em> que ocorreu em todo o mundo depois da sua republicação em 2007, e que trouxe o autor definitivamente para as luzes da ribalta. Hoje, Ken Follett pode ser lido em 35 línguas e em mais de 80 países. É popularíssimo e quase venerado em Espanha, onde curiosamente existe desde 2008 uma estátua sua, em tamanho real, colocada em frente à Catedral de Vitoria-Gasteiz, no País Basco – segundo Follett, foi uma visita a esta Catedral que o inspirou a escrever “Um Mundo Sem Fim”, a sequela publicada em 2007 de “Os Pilares da Terra”.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">O primeiro livro de Follett que li foi “A Chave para Rebecca”, algures pelos inícios dos anos 80 (cortesia da Reader’s Digest, e actualmente em parte incerta numa das muitas estantes de livros que há em casa dos meus pais), e gostei tanto que até hoje não me esqueci dele. É uma história de espionagem pura, com um enquadramento histórico (a 2ª Guerra Mundial, que tem sido uma mina de inspiração para o escritor) e geográfico (Egipto) absolutamente credíveis, e muito envolvente. Há um lado bom e um lado mau, cada um deles representado por uma das personagens principais, e vamos acompanhando a história de pontos de vista alternados, num jogo permanente de Follett com os sentimentos de quem lê.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="IMG_20160911_120354.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=GMKvP6pCKEEmlchB0LIT" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20160911_120354.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Gec01e348/19898659_8Mbbf.jpeg" alt="IMG_20160911_120354.jpg" width="576" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Bastantes anos mais tarde (em 1994, um ano depois da publicação original), pela mão do Círculo de Leitores comprei “Uma Fortuna Perigosa”, que devorei num ápice – e que é um dos livros que empresto recorrentemente a quem me pede algo que não seja romance de amor nem muito pesado. Assassínios, intrigas e paixões na Inglaterra do séc. XIX, numa história que gira à volta do dinheiro, da avidez e da degenerescência moral. Se extrairmos a história do seu enquadramento histórico, o tema continuaria actual, porque a verdade é que os tempos mudam, mas o ser humano nem tanto…</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="IMG_20160911_120315.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=ghbJG4ynCvZCrzZ3kTi3" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20160911_120315.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G4b16410a/19898661_fZj8n.jpeg" alt="IMG_20160911_120315.jpg" width="576" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Por esta altura, e pelas experiências anteriores, o nome de Ken Follett já era para mim sinónimo de leitura que “agarra”. Mas como que a desmentir a minha ideia pré-concebida, o livro que comprei a seguir não me entusiasmou por aí além. “O Terceiro Gémeo”, na minha opinião, fica uns quantos furos abaixo dos outros livros dele que li até agora. O tema – os perigos da engenharia genética e da clonagem, e blá blá – apesar de na altura não ser tão banal já era suficientemente desinteressante para mim. Tal como em tempos o raio laser foi o “bicho-papão” de muitos livros e filmes e do imaginário colectivo, quando ainda não era utilizado para milhentos fins benéficos como acontece hoje, a engenharia genética também teve a sua época de “má da fita”, actualmente já bastante ultrapassada.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="IMG_20160911_120336.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=ESl9zZcS4FHBkIqZ53zu" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="IMG_20160911_120336.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/G22129f7b/19898664_CkZzF.jpeg" alt="IMG_20160911_120336.jpg" width="576" height="768" /></a></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">Também do Círculo tenho “Os Filhos do Paraíso” (originariamente publicado em 1998, mas cá apenas em 2000), uma história com muita acção que mistura o fanatismo de uma seita <em>hippie</em> pretensamente ecológica com terrorismo, e onde mais uma vez Ken Follett não me desiludiu.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Em “Contagem Decrescente”, o escritor volta ao tema da espionagem, desta vez na época da Guerra Fria. “Nome de Código Leoparda” (outro dos meus preferidos) tem novamente a 2ª Guerra Mundial como pano de fundo, mas desta vez a história de espionagem vive-se no feminino (um pouco à semelhança de “O Buraco da Agulha”, mas num ambiente completamente diferente). Para “Voo Final”, baseado numa história verídica passada igualmente durante a 2ª Guerra, Ken Follett deu-se ao trabalho de aprender a pilotar um avião. E explicou a razão numa entrevista: “Eu sabia que teria de escrever cerca de quarenta páginas com este miúdo a pilotar um avião. E não poderia fazê-lo se não tivesse de facto pilotado eu próprio um avião”.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Com “A Ameaça”, em 2004, Follett voltou ao <em>thriller</em> e ao tema dos perigos da biologia e da ciência. Mas foi também com este livro que encerrou, pelo menos até agora, a sua fase das histórias de acção e espionagem para se dedicar mais afincadamente aos romances históricos.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Em 2007, o lançamento de “Um Mundo Sem Fim” e a republicação de “Os Pilares da Terra” trouxeram-lhe finalmente o reconhecimento mundial e um lugar cativo nas listas dos mais vendidos. Em Portugal, cada um destes livros foi publicado em dois volumes separados. Porque assim podem ser publicados com letra maior? Para os leitores não se assustarem com o tamanho do volume? Ou por estratégia de marketing e de comercialização, para renderem mais lucro e maior número de exemplares vendidos? Provavelmente por tudo isto.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="9789722340212.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=8FozLcQTPvfT1WeQhFzZ" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722337885.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pe5160c86/19898673_gbASw.jpeg" alt="9789722337885.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722338196.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P5e163a1c/19898672_BHiVs.jpeg" alt="9789722338196.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722340038.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P0e124ce5/19898671_slytC.jpeg" alt="9789722340038.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722340212.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P181215cf/19898670_Znf3z.jpeg" alt="9789722340212.jpg" /></a> </p> <p style="text-align: justify;">O certo é que estas duas obras são ficções históricas brilhantemente concebidas, em cujo “cozinhado” Follett consegue incorporar de forma apuradíssima todos os elementos que usa habitualmente nos seus livros para despertar o interesse do leitor: fidelidade histórica q.b., personagens essencialmente boazinhas ou vilãs mas que às vezes “descarrilam” para o outro campo, segredos, tragédia e até crueldade, mas sempre criando em nós a expectativa de um final feliz.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Não li (ainda, mas hei-de ler) os livros da “Trilogia do Século”. Mas diz quem leu que são igualmente bons. Podem aproveitar para ler as opiniões da <a href="http://stoneartportugal.blogs.sapo.pt/o-meu-livro-favorito-de-2014-116607" target="_blank" rel="noopener">Magda</a> e da Márcia (<a href="http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/503992.html" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> e <a href="http://planetamarcia.blogs.sapo.pt/no-limiar-da-eternidade-ken-follett-653032" target="_blank" rel="noopener">aqui</a>) sobre estes livros.</p> <p class="sapomedia images" style="text-align: center;"><a class="media-link" title="9789722344289.jpg" href="http://fotos.sapo.pt/anacb/fotos/?uid=bZd4rjq1mJ3wWw2kPuK9" rel="noopener"><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722344289.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P281231e9/19898692_wSDc7.jpeg" alt="9789722344289.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="9789722348768.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/Pb601439a/19898694_ZUj75.jpeg" alt="9789722348768.jpg" /><img style="padding: 10px 10px;" title="1507-1.jpg" src="https://c1.quickcachr.fotos.sapo.pt/i/P9e16bede/19898693_tDmEK.jpeg" alt="1507-1.jpg" /></a></p> <p style="text-align: justify;">Está previsto que a sua próxima obra, que tem o título provisório de “A Column of Fire”, saia no Outono de 2017. Com o reinado de Isabel I de Inglaterra como pano de fundo, a história começa em Knightsbridge (sim, a localidade de “Os Pilares da Terra”) mas vai passar por muitos outros locais emblemáticos – incluindo Sevilha, talvez para agradar (ou agradecer, quem sabe) ao seu imenso público espanhol. É precisamente disto que nos fala nesta mensagem que gravou em vídeo no final 2015.</p> <p class="sapomedia videos" style="text-align: center;"><iframe src="//cdn.embedly.com/widgets/media.html?src=https%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fembed%2FeTzqOZ3Z050%3Ffeature%3Doembed&url=http%3A%2F%2Fwww.youtube.com%2Fwatch%3Fv%3DeTzqOZ3Z050&image=https%3A%2F%2Fi.ytimg.com%2Fvi%2FeTzqOZ3Z050%2Fhqdefault.jpg&key=4eb58034def64e7d9fd85869210c7d0d&type=text%2Fhtml&schema=youtube" width="640" height="360" scrolling="no" frameborder="0" style="padding: 10px 10px;" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p> <p> </p> <p style="text-align: justify;">“O meu objectivo pessoal é escrever prosa transparente”, afirma Ken Follett numa das páginas do seu website oficial. Vinda de um homem que já vendeu mais de 150 milhões de cópias dos seus livros, esta declaração é no mínimo corajosa e estranhamente pouco egocêntrica. Apesar de tanto sucesso, Follett parece saber bem onde se situa no mundo da literatura. Não tem a ambição de escrever obras-primas, mas sim livros que cativem quem os lê. Ele próprio assume que quando escreve pensa primeiro naquilo que o leitor quererá, se gostará mais ou menos de determinada personagem. Não escreve para si, mas sim para quem vai ler os seus livros.</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;">Talvez seja precisamente este um dos seus segredos: saber para quem escreve, e porquê. Outro segredo? Um trabalho árduo e metódico de pesquisa, esboço e escrita de cada livro. Afinal, o sucesso não se consegue só com inspiração, é preciso trabalhar para ele – e isto é absolutamente válido para todos os aspectos da nossa vida. Como ele mesmo diz, “<em>If there’s a way to make it better, you have to do it</em>.”</p> <p style="text-align: justify;"> </p> <p style="text-align: justify;"> </p>