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Gene de traça

Livros e etc.

As personagens quase desconhecidas de Agatha Christie

por anacb, em 13.04.16

 

Agatha Christie é a romancista mais lida desde sempre, e estima-se que já tenham sido vendidos mais de 4 mil milhões de exemplares dos seus livros em todo o mundo. Famosa sobretudo pelos seus romances e contos policiais, deu vida a duas figuras únicas no género e tão famosas quanto a sua criadora: Hercule Poirot e Miss Marple. Contudo, nos 66 romances policiais 150 contos e 19 peças de teatro que escreveu, Agatha Christie criou também outras figuras igualmente deliciosas e memoráveis, embora muito menos conhecidas; e é delas que hoje quero falar.

 

Descobri Agatha Christie no início da adolescência, quando lia tudo o que aparecesse lá por casa e tivesse folhas escritas e uma capa, mesmo que não fosse propriamente para a minha idade. Lembro-me das capas de dois livros, uma com muito azul e a outra para mim algo assustadora, mais ainda porque pertenciam à colecção Vampiro, nome que na minha imaginação eu associava a histórias de terror – porque naquela altura os vampiros ainda não eram bonzinhos nem estavam na moda, e eu era uma miúda facilmente impressionável.

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Estes antiquíssimos exemplares ainda andam lá pelas estantes da casa dos meus pais, que eles (a quem sairia eu com este hábito de não me desfazer destas coisas?) também têm a mania de não deitar livros fora.

Eis a razão por que “O Mistério do Comboio Azul” foi o primeiro livro da Agatha Christie que li; e gostei tanto que logo a seguir ultrapassei os meus preconceitos em relação à capa “angustiante” de “O Natal de Poirot” e não descansei enquanto não o li também. Anos mais tarde, a Livros do Brasil iniciou a publicação da obra completa da autora na sua colecção Vampiro Gigante, com dois títulos por livro, e claro que (como seria de prever) sou a feliz possuidora de todos estes livros, do n.º 1 ao n.º 40.

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E foi precisamente no volume 1 da colecção que fiquei a conhecer o casal de “detectives/espiões/aventureiros” mais engraçado da história da literatura policial:

 

Tommy & Tuppence

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Em “O Adversário Secreto”, publicado em 1922, os dois velhos amigos Prudence (“Tuppence”) Crowley e Thomas (“Tommy”) Beresford encontram-se por acaso numa estação de metro em Londres, em pleno rescaldo da Primeira Guerra Mundial. Ambos desempregados, decidem formar uma empresa pouco convencional especializada em investigações, a que dão o nome de Young Adventurers Ltd. Anunciam-se como “dispostos a fazer qualquer coisa e ir a qualquer lado”. Tuppence é uma força da natureza, e o carácter mais ponderado de Tommy é o seu contraponto perfeito. Muito perigo, muita acção e bastante humor neste primeiro livro.

 

Ao todo, este intrépido casal é o protagonista de cinco livros, escritos com um intervalo de vários anos entre cada um:

1922 - O Adversário Secreto (The Secret Adversary)

1929 – O Homem que Era o N.º 16 (Partners in Crime, dividido em várias histórias independentes)

1941 – Tempo de Espionagem (N or M?)

1968 – Caminho para a Morte (By the Pricking of My Thumbs)

1973 – Morte pela Porta das Traseiras (Postern of Fate)

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Os livros com as “aventuras” de Tommy & Tuppence têm algumas particularidades Interessantes, a primeira das quais o facto de as histórias se passarem em tempo real, isto é, as personagens envelhecem ao longo dos anos. No primeiro livro são dois jovens, no último um casal já idoso que decide gozar a reforma numa nova cidade.

Em “O Homem que Era o N.º 16”, Tommy & Tuppence resolvem o caso de cada uma das histórias à maneira de um detective de romances policiais diferente.

Na totalidade, os cinco livros protagonizados por este casal abrangem todo o período da carreira literária da escritora.

 

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Harley Quin

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“O Misterioso Mr. Quin” é uma personagem fugidia e intrigante, que gosta de corações apaixonados e ajuda um “very British” Sr. Satterthwaite a resolver vários mistérios nos contos narrados neste livro (que faz parte do volume 6 da minha colecção). É a única obra da escritora dedicada a uma personagem fictícia, que se inspirou no Arlequim da Commedia dell’Arte para criar aquilo que ela própria definiu, na sua Autobiografia, como “uma figura que apenas entrou numa história – um catalisador, não mais – a sua mera presença afectava os seres humanos”. Um toque de sobrenatural no diversificado mundo misterioso criado por Agatha Christie, ela própria uma mulher com alguns curiosos enigmas na sua vida.

 

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Parker Pyne

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O volume 11 da colecção dedicada a Agatha Christie inclui o livro “Parker Pyne Investiga”, que é também um conjunto de várias pequenas histórias, cuja personagem principal se assume como um “especialista do coração”. Funcionário público reformado, Parker Pyne resolve dedicar-se a curar a infelicidade das pessoas usando meios pouco convencionais, frequentemente “fabricando” situações que irão ajudar a resolver os problemas dos que o procuram, por vezes sem eles sequer darem por isso. Os episódios protagonizados por Parker Pyne têm aqui e ali pontos de contacto com outras histórias onde a estrela é o detective Hercule Poirot, seja pela sua localização ou título (como “Morte no Nilo”, por exemplo), seja pelas personagens secundárias que gravitam em torno de um e outro (como Miss Lemon ou a “alter ego” de Agatha Christie, a escritora Ariadne Oliver).

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A título de curiosidade: sabiam que Agatha Christie visitou Portugal nos anos 60 do século passado? E que para conseguir falar com ela, o “Inspector Varatojo” (que não era da polícia mas sim um advogado apaixonado pela criminologia e escritor de romances policiais, e que teve um programa na televisão) e a sua mulher lhe ofereceram um cesto com maçãs, por saberem que ela idealizou alguns dos seus enredos policiais enquanto tomava um banho de imersão e comia maçãs?

 

 

(Fonte principal: http://www.agathachristie.com/)

 

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