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Gene de traça

Livros e etc.

J. K. Rowling

por anacb, em 24.11.16

 

Falar de Joanne Rowling e do seu sucesso internacional como escritora talvez seja um pouco repetitivo – parece que tudo ou quase tudo já foi dito sobre ela, por vezes até à exaustão, invenções misturadas com factos reais. Mas não há como ignorar o seu talento para a escrita de boas histórias.

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Depois de Agatha Christie e sensivelmente a par de Enid Blyton, J. K. Rowling é a escritora inglesa de ficção mais vendida em todo o mundo. Aliás, estima-se que “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, o primeiro livro da mais-que-famosa série, tenha já vendido 107 milhões de cópias – ultrapassando “Convite para a Morte”, o livro mais vendido de Agatha Christie (também publicado com o título “As Dez Figuras Negras”, mais semelhante ao inglês, “Ten Little Niggers”). No entanto, apesar de publicado originalmente em 1997, só em Outubro de 1999 foi impressa a primeira edição portuguesa de “Harry Potter e a Pedra Filosofal”.

 

Apaixonada pela leitura que sou e sempre fui, tentei transmitir essa paixão ao meu filho quase desde que ele nasceu – ainda bebé, teve direito a um livro de plástico para brincar no banho (era, mesmo a propósito, sobre um peixinho), e a colecção de livros que tinha no quarto já era invejável ainda antes de saber ler. Teve a sorte de nascer numa altura em que a literatura infantil estava em franca expansão, tanto em quantidade como em qualidade, pelo que não havia falta de material para alimentar o seu (felizmente!) crescente interesse.

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Sempre à procura de novidades apropriadas para a idade dele, foi no ano 2000 que um artigo numa revista me chamou a atenção para a série Harry Potter. O terceiro livro (“Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”) tinha acabado de ser lançado em Portugal, mas à cautela comprámos-lhe apenas o primeiro (que já ia na terceira edição), não fosse dar-se o caso de ele não apreciar a história. Receios infundados: leu o livro num fim-de-semana e não descansou enquanto não lhe comprámos os outros dois, que também devorou num ápice. Não sei se foi por ter na altura a idade dos heróis, se porque estava com fome de novidades (já tinha lido tudo o que havia da colecção Uma Aventura, várias das histórias dos Cinco, e outros no género), a verdade é que a saga dos aprendizes de feiticeiro lhe caiu no goto e ele ficou fã. E de tal maneira que depois do quarto livro passou a ser incapaz de esperar pela edição portuguesa e passou a “obrigar-me”, de cada vez que saía um livro novo, a ir à meia-noite à livraria mais próxima comprar um exemplar em inglês mal ele era posto à venda.

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Quanto a mim, só anos mais tarde é que tive a curiosidade de ler alguns destes livros e achei a escrita dela surpreendentemente boa, não tanto pelas histórias em si – que são obviamente destinadas a um público juvenil, apesar do ambiente de violência e morte subjacente e de traços de grande maturidade nalgumas personagens – mas mais até pelo nível de linguagem e da estrutura sintáctica, que é bem menos simplista do que se poderia esperar.

 

Apesar do sucesso, da celebridade e da fortuna que os sete livros da série Harry Potter lhe trouxeram e fizeram com que passasse de muito pobre a muito rica no espaço de cinco anos, Joanne Rowling não se deixou ficar quieta e partiu para outros géneros de escrita. Em Setembro de 2012, também como J. K. Rowling (o “K.” não faz parte do seu nome verdadeiro, pediu-o “emprestado” à sua avó paterna Kathleen), foi publicado “Uma Morte Súbita”, o primeiro livro de ficção destinado ao público adulto. Ao contrário do que o título parece dar a entender, não é um policial, embora por toda a história perpasse um certo ambiente de mistério, de coisas que apenas são subentendidas, de tragédia. O título em inglês é “The Casual Vacancy”, que poderá ser traduzido mais à letra como “A Vaga Fortuita”, e o enredo gira à volta dos efeitos provocados pela morte repentina de um membro da Associação Comunitária de uma pequena terrinha em Inglaterra, particularmente pelo facto de o seu lugar na referida Associação ficar vago e ter de vir a ser preenchido. É um bom livro, embora algo triste, e gostei bastante de o ler. Joanne Rowling retrata bem o ambiente de uma cidadezinha de província que um acontecimento vulgar, embora inesperado, abala profundamente a vários níveis – razão pela qual acaba por vir à superfície tudo o que há de melhor e pior nos seus habitantes, num crescendo de dramatismo que acaba por redundar numa verdadeira guerra.

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Em Abril de 2013, a editora inglesa Sphere Books publicou e distribuiu 1500 cópias de um livro policial com o título “The Cuckoo’s Calling” escrito por Robert Galbraith, que se soube desde o início ser um pseudónimo – embora não se soubesse de quem. O segredo não conseguiu ficar guardado durante muito tempo e em Julho do mesmo ano o jornal Sunday Times divulgou que a escritora por detrás do pseudónimo era Joanne Rowling, depois de uma fuga de informação via Twitter vinda de pessoas ligadas a uma firma de advogados com quem a escritora trabalhava. Em entrevista recente à emissora de rádio americana NPR, Joanne revelou que tinha sido para ela “um prazer muito privado” escrever sob pseudónimo, sobretudo porque o facto de ser a autora de Harry Potter colocava sobre si uma enorme pressão e ela tinha vontade de criar algo bastante diferente, que tivesse sucesso ou fracasso por mérito próprio.

 

O livro foi publicado em Portugal pela Presença em Outubro do mesmo ano com o título “Quando o Cuco Chama”. Com toda a publicidade gerada pela polémica da descoberta intempestiva da verdadeira autora, o lançamento teve obviamente honras de destaque nas livrarias e na imprensa. Seguiram-se-lhe “O Bicho-da-Seda” em Janeiro de 2015 e “A Carreira do Mal” em Outubro deste ano, que acabei agora de ler e despertou em mim a vontade de escrever este post (mais ainda porque descobri entretanto que ainda existe quem goste de ler mas não saiba que Robert Galbraith e J.K.Rowling são uma e a mesma pessoa).

 

Estes três livros têm em comum os mesmos protagonistas: Cormoran Strike, um detective particular e ex-investigador da Polícia Militar, que perdeu uma perna no Afeganistão e é filho ilegítimo de um famoso cantor rock; e a sua assistente Robin Ellacott, rapariga de província desde sempre fascinada pelo trabalho de investigação policial e dotada de grande perspicácia e imaginação. Ambos têm um passado (e presente) atribulado e cheio de fantasmas, e deixam que os seus sentimentos, inseguranças e intuição interfiram nas investigações de que são encarregados – o que por vezes os coloca em perigo, mas sempre (obviamente!) com bons resultados. Em volta deles gravitam mais algumas personagens secundárias: irmãos e irmãs, pais, noivo e namoradas, agentes da Polícia, cada um com características de personalidade bem definidas e que servem sobretudo para agitar a vida pessoal dos protagonistas e para enriquecer a história de cada livro com acontecimentos e pormenores, muitos deles à margem da investigação.

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Nesta série – que a autora já admitiu ir ter nove livros no total, mais dois do que a saga Harry Potter – Cormoran Strike é o arquétipo do anti-herói que só o é aparentemente, pois na realidade acaba por se revelar um herói verdadeiro: homem destemido e defensor da justiça e da verdade, reservado e respeitador mas cheio de traumas de infância e com um passado atribulado, a que se junta a amargura provocada pelo acidente que lhe custou uma perna e a adorada carreira militar, e também a sombra de uma antiga história de amor que foi tudo menos pacífica.

 

Robin é o seu contraponto, a típica rapariga vinda de uma família tradicional, sensível, bem comportada e prestes a casar. Em comum com Strike tem a inteligência, a curiosidade, o gosto pela investigação, e um acontecimento traumatizante no seu passado (que só ficamos a conhecer no terceiro livro).

 

Como é normal acontecer em todos os enredos que envolvem protagonistas de sexos diferentes, e apesar de Robin estar noiva, existe entre ambos uma implícita atracção, que nenhum deles assume mas vai aumentando e tornando-se mais perceptível em cada livro. Esta negação, por parte dos protagonistas, de sentimentos que parecem mais que óbvios para quem lê é logicamente mais um factor de interesse e de “suspense”, inteligentemente pensado para nos manter na expectativa e a ansiar pelo próximo livro.

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“Quando o Cuco Chama” foi para mim uma agradável surpresa. Li-o assim que saiu e restaurou a minha fé nos policiais, numa altura em que eu andava um bocado arredada do género (apesar de ser um dos meus favoritos) e achava que depois de Stieg Larsson já pouco se conseguiria fazer de diferente. O enredo e as personagens criadas pela escritora despertaram o meu interesse e mantiveram-me agarrada ao livro sem ponta de aborrecimento até ao final que, como convém, é surpreendente. Não vou dizer que Joanne Rowling reinventou o policial – nada disso. Muito pelo contrário, simplesmente pegou nos elementos clássicos de um romance policial e vestiu-lhes uma roupa nova, devidamente actualizada para o contexto dos nossos dias, misturando-os com uma pitada de violência q.b. e um pouco de drama pessoal e social (talvez inspirada pelos policiais nórdicos…) para evitar que as personagens sejam completamente estereotipadas. O resto ficou por conta da sua própria imaginação que, como deu para perceber nos seus primeiros livros, é bastante produtiva.

 

Não posso dizer que “O Bicho-da-Seda” me tenha causado a mesma empolgação. Achei a história algo menos interessante e mais confusa do que a do primeiro livro, e fiquei ligeiramente (mas só ligeiramente) decepcionada. Mas “A Carreira do Mal” obliterou completamente essa impressão menos boa com que tinha ficado. É, quanto a mim, o melhor dos três livros – e isto apesar de ter sido o único em que consegui deduzir antecipadamente quem seria o “mau da fita”. Mais movimentado, violento e dramático do que os anteriores, o enredo deste livro gira à volta da vida pessoal dos protagonistas da série. Sabe-se desde o início que o criminoso é alguém que procura vingar-se de Cormoran, pois de vez em quando é introduzido um capítulo em que o narrador é o próprio assassino. Apercebemo-nos também de que essa vingança irá envolver Robin como vítima, enquanto se desenrola em paralelo o drama do seu casamento iminente, cuja concretização já de si periclitante fica seriamente comprometida pela revelação de acontecimentos passados. Aliás, desde o primeiro livro que a antipatia por Matthew, o noivo de Robin, vai propositadamente aumentando, e de certeza que não sou a única a torcer para que ela abra os olhos e perceba finalmente que o seu noivo é um autêntico traste.

 

E sobre os livros não vou dizer mais nada a não ser isto: são um excelente entretenimento, muito acima da média, e aconselho vivamente a sua leitura.

 

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O êxito da série Cormoran Strike levou a que, como seria de esperar, os livros já estejam a servir de base para uma série televisiva, cujas filmagens tiveram início este mês em Londres. Strike vai ser interpretado pelo actor britânico Tom Burke (já conhecido das recentes séries “Os Mosqueteiros” e “Guerra e Paz”), enquanto que o papel de Robin foi confiado à encantadora Holliday Grainger (que encarnou Lucrécia na série “Os Bórgia”). Podem ir seguindo as novidades pelo Twitter (https://twitter.com/RGalbraith). Como fã de séries inglesas que sou, espero sinceramente que não demorem muito tempo para a transmitir.

 

E já agora, que venha depressa o próximo livro.

 

Para conhecerem mais pormenores sobre Joanne Rowling e as suas obras aconselho a visita aos sites oficiais da escritora: http://www.jkrowling.com/ e http://robert-galbraith.com/.

 

 

Obrigada, SAPO! #7

por anacb, em 02.11.16

 

O Sapinho voltou a destacar mais um post dos meus – foi ontem, mas ando tão atarefada que só hoje dei por isso.

E nesta época só podia ser sobre ficção fantástica, pois está claro J))

 

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Mais uma vez, obrigada à equipa do Sapo Blogs!

 

Terror, horror, fantástico e coisas assim

por anacb, em 31.10.16

 

Desde que me lembro, sempre tive medo do escuro. Medo mesmo, a ponto de durante algum tempo precisar de dormir com uma lamparina acesa (sim, naquela altura ainda se usavam lamparinas) à entrada do quarto. A minha nictofobia durou muitos anos, e já era bem adulta quando finalmente passou. Escusado será dizer que fui também uma miúda facilmente impressionável, por isso nunca convivi muito bem com histórias que envolvessem monstros, seres sobrenaturais e afins. Estranhamente, o sangue nunca me incomodou – podia ver ou ler sobre as maiores sangueiras do mundo, que isso não me afectava. Mas bastava lançarem um espírito demoníaco ou um alien predador na história para me verem toda encolhidinha de medo.

 

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Tinha aí uns quinze anos quando li “O Exorcista” de William Peter Blatty, que tinha na altura dado origem ao filme. Acabei de o ler já noite dentro, e estava tão aterrorizada que me levantei e fui acendendo as luzes todas da casa até chegar à divisão onde a minha irmã dormia para a acordar sem cerimónias e lhe pedir para ficar a falar comigo durante um bocado.

 

A experiência foi suficientemente traumatizante para me manter arredada de livros do género durante muitos anos.

 

Mas o mesmo não posso dizer em relação aos filmes, pois de vez em quando lá caía na asneira de ir ver um filme de terror, fosse porque desconhecia que era desse género, fosse porque a curiosidade falava mais alto do que a minha cautela, fosse porque alguém acabava por me convencer a ir com o argumento de que estaria a perder “um filme muito bom”. E se “O Tubarão”, por exemplo, não me afectou por aí além, o mesmo não posso dizer do “Drácula” na sua versão de 1979, de “A Semente do Diabo” (mais conhecido pelo título original, “Rosemary’s Baby”), ou de “Alien, o 8º Passageiro” (o primeiro filme da saga), que me deram pesadelos durante inúmeras noites – isto só para citar alguns.

  

A verdade é que eu cresci numa época em que a ideia do mundo era transmitida às crianças como um lugar cheio de perigos desconhecidos, fossem eles de origem humana ou sobrenatural. Até as histórias supostamente infantis mais populares pareciam ter como missão aterrorizar mais do que distrair: um lobo que come pessoas, uma bruxa que oferece uma maçã envenenada, uma casinha de chocolate onde vive uma bruxa que come criancinhas, um país onde a rainha ordena indiscriminadamente que se cortem cabeças… Convenhamos que nada disto era propriamente adequado a tranquilizar espíritos timoratos.

 

Era uma altura em que os dinossauros eram monstros horrorosos e destruidores como a “Godzilla”, os vampiros eram seres demoníacos sem um pingo de bondade no corpo, e os zombies apareciam não se sabe bem porquê e eram praticamente invencíveis. Hoje mudou tudo: os dinossauros viraram bichos fofinhos e maioritariamente inofensivos, os vampiros e lobisomens são personagens românticos e incompreendidos, e os mortos-vivos são as pobres vítimas de uma qualquer experiência que correu mal e há até quem se dedique a tentar encontrar uma cura para a sua doença. Talvez por oposição ao mundo, que parece estar cada vez mais perigoso e louco, a imagem dos misteriosos representantes do Mal de outros tempos tem vindo a ser progressivamente “adocicada”.

 

Apesar disso – ou, quem sabe, por causa disso - o género está bem e recomenda-se, tanto na literatura como no cinema.

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E a propósito de género, de que é que falamos quando falamos em ficção de terror, horror, fantástico e etc.?

 

A linha que divide o terror do horror é tão fina que muitas vezes nem conseguimos separar um do outro. Mas existe alguma diferença. O terror é geralmente descrito como sendo um sentimento de pavor, de medo antecipado, quando achamos que algo de muito mau vai acontecer. Já o horror é o que sentimos quando vemos ou ouvimos algo que nos causa repulsa, ou passamos por uma experiência extremamente desagradável. O terror está relacionado com os nossos medos e ansiedades, com a nossa imaginação, e anda frequentemente de mãos dadas com o suspense, enquanto o horror é uma reacção involuntária na sequência de um acontecimento que nos choca ou amedronta.

 

A ficção fantástica é toda aquela que aborda factos que fogem à nossa lógica e à nossa realidade. Pode contar-nos histórias de fantasia, sobrenaturais ou ir pelos caminhos da ficção científica. Pode manter-nos em suspense, criar atmosferas de terror e causar-nos horror. Pode também encantar-nos, abrir as comportas da nossa imaginação e levar-nos a mundos desconhecidos para experimentarmos emoções contraditórias. E está de muito boa saúde nos dias que correm.

 

Na verdade, cada vez há mais público fiel ao género. E mais escritores para o alimentarem, que lançam novidades a um ritmo alucinante e para todos os gostos. Na onda deste filão recém-descoberto, os clássicos são revisitados e reinventados, e alguns viram autores de culto. Criam-se sequelas e prequelas, há adaptações de livros para a tv e o cinema, e os argumentos de filmes e séries transformam-se em livros.

 

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Apesar de ter ultrapassado a minha nictofobia de forma natural e sem dar conta, a minha relação com a ficção de terror continua atribulada. Por vezes adoro, por vezes deixa-me inquieta e detesto. Mas só mesmo a de terror, que de resto sou bastante fã da ficção fantástica, e isto já desde miúda – muito provavelmente desde que a minha mãe me deu “Os mais belos contos de fadas” (de que já falei aqui) e mais tarde alguns livros de Júlio Verne, que foi sem dúvida o precursor da ficção científica moderna. Em adolescente li os clássicos “A guerra dos mundos” de H.G.Wells, “1984” de George Orwell, “Admirável mundo novo” de Aldous Huxley, e “Tales of Mistery & Imagination”, uma compilação de alguns dos melhores contos de Edgar Allan Poe, que ainda hoje continuam a ser dos meus livros preferidos. E “Fahrenheit 451” e outros de Ray Bradbury, além das obrigatórias obras de culto “Drácula” de Bram Stoker e “Frankenstein” de Mary Shelley. Mais tarde “descobri” Tolkien e o seu “Hobbit”, Isaac Asimov e a sua “Fantástica viagem ao cérebro”, e a saga “Dune” de Frank Herbert.

 

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Li “Contacto”, de Carl Sagan, assim que saiu, vários de Michael Crichton (o autor de “Parque Jurássico” e “A Esfera”) e “Um estanho numa terra estranha” do polémico Robert Heinlein. Depois viciei-me em Stephen King (também já falei sobre ele neste post) e li também George R.R.Martin, o autor das “Crónicas de gelo e fogo”, que deram origem à série “A Guerra dos Tronos”. E sabiam que até Isabel Allende já fez “uma perninha” no campo do fantástico? Não falo de “A casa dos espíritos”, que se enquadra na corrente do realismo mágico, mas sim de uma trilogia que escreveu entre 2002 e 2004 e dá pelo nome genérico de “As aventuras da Águia e do Jaguar” e cujos protagonistas são dois adolescentes e um macaco que se vêem enredados em estranhas aventuras em vários pontos do globo – histórias onde as espiritualidade e o sobrenatural se entrelaçam com uma nítida preocupação ecológica e antropológica.

 

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Podia ainda falar de Anne Rice, Clive Barker, Justin Cronin ou Gillian Flynn, e de muitos outros, ou das famosíssimas J.K.Rowling e Stephanie Meyers, mas então é que este post não terminava nunca…

 

É como eu disse acima: a ficção fantástica, seja de terror ou outra, está de boa saúde e a florescer a olhos vistos. Eu gosto. E vocês?

 

Entre aspas #10 Annie Dillard

por anacb, em 06.10.16

 

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O Gerente da Noite

por anacb, em 03.10.16

 

Já aqui falei por alto de cinema e da relação estreita entre livros e filmes, mas hoje vou falar de televisão. Mais concretamente, de séries televisivas.

 

Longe vai o tempo em que as séries que víamos na televisão eram os parentes pobres do cinema. Cá em Portugal quase se resumiam a séries policiais americanas e a uma ou outra produção inglesa ou eventualmente com outro país de origem (não estou obviamente a incluir as sitcoms, que sempre abundaram). Tinham em comum o facto de serem habitualmente interpretadas por actores e actrizes pouco ou nada conhecidos no mundo cinematográfico – eram assim como que um laboratório para novos actores, e para quem é mais jovem ou tem memória curta deixem-me dar-vos alguns exemplos de que me lembro assim de repente: Anthony Hopkins foi o Pedro de “Guerra e Paz”, na adaptação que a BBC fez em 1972 da obra de Lev Tolstoi; Meryl Streep e James Woods fizeram par romântico na mini-série “Holocausto” exibida em 1978 pela NBC; Jeremy Irons foi um dos protagonistas de “Reviver o passado em Brideshead”, uma série de 1981 produzida pela Granada Television com base no romance de Evelyn Waugh. Estas e outras séries foram a rampa de lançamento para grandes actores do cinema actual.

 

No entanto, apesar da sua inegável qualidade – sobretudo das séries britânicas, que foram e continuam a ser do melhor que por aí anda – as séries televisivas só há relativamente poucos anos adquiriram um estatuto autónomo de produto com interesse e qualidade no qual vale a pena apostar, com retorno garantido. Os bons resultados estão à vista, com produções milionárias e ao nível do melhor cinema, dirigidas por excelentes realizadores e protagonizadas por actores famosos – ao imporem-se como produto independente e valorizado, as séries televisivas conseguiram esbater a fronteira rígida que subsistiu durante muito tempo entre actores de televisão e actores de cinema (que curiosamente nunca existiu entre cinema e teatro, talvez por ambas as artes estarem associadas a uma ideia de qualidade e elitismo que a televisão nunca teve). E quem ficou a ganhar fomos nós, o público.

 

As séries britânicas sempre foram das minhas favoritas. Não há quem lhes chegue aos calcanhares sobretudo no que toca a recriar épocas passadas e romances históricos, e os actores e actrizes oriundos das ilhas britânicas (e para quem tiver dúvidas, as ilhas britânicas incluem a Irlanda) são dos melhores do mundo. Tão bons que conseguem imitar perfeitamente o sotaque norte-americano e por vezes nem nos damos conta de que não foram realmente nados e criados nos Estados Unidos. Dúvidas? Então aqui vão alguns nomes ao acaso: Audrey Hepburn, Michael Caine, Kate Winslet, Idris Elba, Ralph Fiennes, Keira Knightley, Ewan McGregor, Catherine Zeta-Jones, Hugo Weaving, Sam Neill, Vanessa Redgrave, Gerard Butler, Kiefer Sutherland, Orlando Bloom, Rachel Weisz, Christian Bale, Jude Law, Carey Mulligan, John Hurt, Jason Statham, Rosamund Pike, Tim Roth, Julie Christie, Christopher Lee, Damian Lewis, Joan Collins, Gary Oldman, Ian McKellen, Kate Beckinsale, Colin Farrell. E estes são só alguns dos que mais associamos ao cinema americano, porque a lista é quase infindável.

 

Bom, mas vem isto tudo a propósito de quê?

 

É que fiquei apaixonada por uma mini-série de que já tinha ouvido falar bastante mas só agora tive oportunidade de ver (no canal AMC): “O Gerente da Noite”, a partir do livro homónimo de John Le Carré. São apenas seis episódios, mas muito intensos, bem realizados, bem produzidos, e sobretudo muito bem interpretados.

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John Le Carré, cujo verdadeiro nome é David John Moore Cornwell, trabalhou durante alguns anos no MI6 (o serviço britânico de “informações”) e os seus primeiros livros giram à volta da espionagem no tempo da Guerra Fria, tendo a temática mudado depois para os conflitos religiosos e/ou éticos mas sempre com a espionagem como pano de fundo. Vários deles foram adaptados ao cinema, com mais ou menos sucesso, como “A Casa da Rússia”, “O Alfaiate do Panamá” ou “O Fiel Jardineiro”, entre outros. Os seus livros têm em comum enredos intrincados, personagens profundamente humanas e conflitos morais, mas a linha entre o bem e o mal está sempre nitidamente definida.

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A história de “O Gerente da Noite” centra-se em Jonathan Price, um gerente de hotel que se vê inadvertidamente recrutado para se infiltrar na entourage de um poderoso negociante de armas que os serviços secretos britânico e americano querem apanhar. Roper é um homem ganancioso e sem escrúpulos que esconde habilmente as suas actividades ilícitas atrás de uma capa de filantropia e de uma vida privada inexpugnável. Empurrado pelos serviços britânicos de espionagem e por uma vontade pessoal de vingança – o assassinato de uma mulher com quem tinha tido um breve relacionamento – Price vai construir para si um passado violento e sujeitar-se a tudo para penetrar no mundo privado de Roper e tentar obter provas da sua má conduta.

 

O argumento da série tem diferenças substanciais em relação ao livro, mas o resultado final é muitíssimo bom. Uma das maiores alterações é o facto de o agente que convence Price a aproximar-se de Roper ser na série uma mulher (Angela Burr), e não um homem como no livro (Leonard Burr). Mais ainda, Angela Burr está grávida (devido à própria e muito visível gravidez da actriz Olivia Colman), o que dá à personagem e consequentemente à história uma dimensão mais humana e real. Além disso, a acção foi transportada para a actualidade, com o cartel colombiano de droga do livro a ser substituído por negociantes de origem árabe e um lógico deslocamento geográfico dos eventos. E o final da série é também bastante diferente – mas quanto a isso não vou falar para não ser spoiler.

 

Com tudo isto, já devem ter percebido que a série é de produção maioritariamente britânica (da BBC, em parceria com as americanas AMC e Ink Factory), razão pela qual os actores também são quase todos britânicos, com grande destaque para os protagonistas: Tom Hiddleston (Jonathan Price) e Hugh Laurie (Richard Roper). Para os mais distraídos, Hiddleston é o “Loki” de “Thor” e “Os Vingadores”, e Laurie é nada mais nada menos do que o famoso “Dr. House”. Qual deles o melhor… Hiddleston já provou várias vezes que é bem mais do que uma carinha laroca, e arrisca-se seriamente a ser o próximo Bond – aliás, este seu Jonathan Price tem o factor coolness exacto para um hipotético 007, faltando-lhe apenas uma atitude algo mais blasé e quiçá mais “activa” para ser um alter ego do famoso espião (que tem vindo progressivamente a tornar-se mais “humano” de actor para actor). Quanto a Hugh Laurie, descoberto há uns anos pela América, tem carreira já bem mais longa e firme no Reino Unido. Além de House, por cá vimo-lo sobretudo em comédias, nomeadamente em várias das hilariantes séries “Blackadder”, em “A Bit of Fry and Laurie” (com o também excelente Stephen Fry) e nos filmes “Stuart Little”, mas ele é um artista multifacetado que além do mais canta, toca e tem dado a voz a inúmeras personagens de filmes de animação.

 

“O Gerente da Noite” entusiasmou-me também pelos bem escolhidos cenários da série: Maiorca, Istambul, Cairo, Devon e Zermatt. Embora na realidade as cenas passadas no Cairo e Istambul tenham sido rodadas em Marrocos e as de Zermatt quase todas em estúdio, há belíssimas imagens das cidades e paisagens que são mostradas em separador. Já a mansão de Roper em Pollença (norte de Maiorca) existe realmente; tem o nome de Sa Fortaleza, data do séc. XVII e pertence ao banqueiro inglês Lord James Lupton, sendo a propriedade mais cara de Espanha (foi comprada em 2011 por 40 milhões de euros). As imagens aéreas da zona filmadas para a série são de tirar o fôlego e fazem jus à beleza do lugar.

 

Só o trailer já é qualquer coisa de especial:

 

E já que falo de séries inglesas, deixo aqui a sugestão de algumas das minhas preferidas, para quem ainda não as tiver visto: Sherlock, Luther, Downton Abbey, The Office, The Bletchley Circle, Coupling, Prime Suspect, Two Pints of Lager and a Packet of Crisps, Pride and Prejudice, The Paradise. Há comédia, drama, crime e mistério, história, grandes romances – um pouco de tudo, para todos os gostos. E ao alcance de uns cliques.

 

Entre aspas #9 Roberto Bolaño

por anacb, em 26.09.16

 

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Ken Follett

por anacb, em 12.09.16

 

Não é muito frequente para um escritor que passou uma boa parte da sua vida a escrever thrillers e livros sobre espionagem acabar por vir a ser aclamado mundialmente devido a um romance histórico. Mais estranho ainda é quando esse romance atinge o sucesso mundial mais de dez anos depois de ter sido escrito. E no entanto, em traços gerais isto aplica-se exactamente a Ken Follett, o que mostra que os caminhos da literatura são por vezes misteriosos.

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Nascido no País de Gales em 1949, no rescaldo da 2ª Guerra Mundial, Follett não teve obviamente uma infância fácil, menos ainda por ser o filho mais velho de um casal profundamente religioso que nem sequer permitia que os seus três filhos ouvissem rádio, muito menos que vissem televisão ou fossem ao cinema. A família mudou-se para Londres quando ele tinha dez anos, o que lhe permitiu mais tarde estudar filosofia na Universidade. E é precisamente devido a estes factores que Ken Follett diz ter tido a possibilidade de se tornar escritor: a falta de acesso aos meios de comunicação social apurou-lhe o gosto pelas histórias que a mãe lhe contava; a necessidade de se distrair obrigou-o a recorrer à imaginação e a aprender cedo a ler; as dificuldades financeiras próprias do período em que cresceu levaram-no a fazer da biblioteca uma sua grande aliada; e o curso de filosofia ajudou-o a desenvolver as suas capacidades imaginativas ao ter de encontrar respostas credíveis para questões difíceis.

 

Diz ele na sua biografia: “Eu não possuía muitos livros e sempre dei graças pela existência da biblioteca pública. Sem livros gratuitos não me teria tornado um leitor voraz, e se não formos leitores também não seremos escritores”. Esta ligação da leitura à escrita não é propriamente um segredo, mas sabe sempre bem ouvi-la da boca de quem escreve.

 

Começou a carreira de escritor pelo jornalismo, mas foram problemas financeiros que o empurraram para a ficção, quando já trocara os jornais por um cargo numa pequena editora londrina, a Everest Books. Os seus primeiros dois livros foram publicados em 1974 sob o pseudónimo de Simon Myles. Mas o sucesso chegou só em 1978 com “O Buraco da Agulha” (mais recentemente editado em Portugal com o título “O Estilete Assassino”), que chegou a n.º 1 no top de vendas nos EUA e pelo qual a associação Mystery Writers of America lhe deu um prémio em 1979. O livro serviu de base para um excelente filme inglês de 1981 com o mesmo título – e se nunca o viram, aconselho-o vivamente.

 

“A ficção tem de envolver emocionalmente o leitor. Todas as coisas dramáticas que acontecem nos thrillers só funcionam se os leitores se preocupam com as pessoas envolvidas.” E esta é sem dúvida uma das lições que Follett aprendeu cedo na sua carreira de escritor.

 

Estranhamente (ou talvez porque teve o americano Al Zuckerman como amigo e agente literário), durante muitos anos Ken Follett foi mais vendido e apreciado nos Estados Unidos do que na Europa, onde só começou a despertar verdadeiramente as atenções por volta do ano 2000 depois de já ter publicado 30 livros. Mesmo “Os Pilares da Terra”, publicado inicialmente em 1989, só atingiu na altura o topo das vendas em cinco países – muito longe do boom que ocorreu em todo o mundo depois da sua republicação em 2007, e que trouxe o autor definitivamente para as luzes da ribalta. Hoje, Ken Follett pode ser lido em 35 línguas e em mais de 80 países. É popularíssimo e quase venerado em Espanha, onde curiosamente existe desde 2008 uma estátua sua, em tamanho real, colocada em frente à Catedral de Vitoria-Gasteiz, no País Basco – segundo Follett, foi uma visita a esta Catedral que o inspirou a escrever “Um Mundo Sem Fim”, a sequela publicada em 2007 de “Os Pilares da Terra”.

 

O primeiro livro de Follett que li foi “A Chave para Rebecca”, algures pelos inícios dos anos 80 (cortesia da Reader’s Digest, e actualmente em parte incerta numa das muitas estantes de livros que há em casa dos meus pais), e gostei tanto que até hoje não me esqueci dele. É uma história de espionagem pura, com um enquadramento histórico (a 2ª Guerra Mundial, que tem sido uma mina de inspiração para o escritor) e geográfico (Egipto) absolutamente credíveis, e muito envolvente. Há um lado bom e um lado mau, cada um deles representado por uma das personagens principais, e vamos acompanhando a história de pontos de vista alternados, num jogo permanente de Follett com os sentimentos de quem lê.

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Bastantes anos mais tarde (em 1994, um ano depois da publicação original), pela mão do Círculo de Leitores comprei “Uma Fortuna Perigosa”, que devorei num ápice – e que é um dos livros que empresto recorrentemente a quem me pede algo que não seja romance de amor nem muito pesado. Assassínios, intrigas e paixões na Inglaterra do séc. XIX, numa história que gira à volta do dinheiro, da avidez e da degenerescência moral. Se extrairmos a história do seu enquadramento histórico, o tema continuaria actual, porque a verdade é que os tempos mudam, mas o ser humano nem tanto…

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Por esta altura, e pelas experiências anteriores, o nome de Ken Follett já era para mim sinónimo de leitura que “agarra”. Mas como que a desmentir a minha ideia pré-concebida, o livro que comprei a seguir não me entusiasmou por aí além. “O Terceiro Gémeo”, na minha opinião, fica uns quantos furos abaixo dos outros livros dele que li até agora. O tema – os perigos da engenharia genética e da clonagem, e blá blá – apesar de na altura não ser tão banal já era suficientemente desinteressante para mim. Tal como em tempos o raio laser foi o “bicho-papão” de muitos livros e filmes e do imaginário colectivo, quando ainda não era utilizado para milhentos fins benéficos como acontece hoje, a engenharia genética também teve a sua época de “má da fita”, actualmente já bastante ultrapassada.

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Também do Círculo tenho “Os Filhos do Paraíso” (originariamente publicado em 1998, mas cá apenas em 2000), uma história com muita acção que mistura o fanatismo de uma seita hippie pretensamente ecológica com terrorismo, e onde mais uma vez Ken Follett não me desiludiu.

 

Em “Contagem Decrescente”, o escritor volta ao tema da espionagem, desta vez na época da Guerra Fria. “Nome de Código Leoparda” (outro dos meus preferidos) tem novamente a 2ª Guerra Mundial como pano de fundo, mas desta vez a história de espionagem vive-se no feminino (um pouco à semelhança de “O Buraco da Agulha”, mas num ambiente completamente diferente). Para “Voo Final”, baseado numa história verídica passada igualmente durante a 2ª Guerra, Ken Follett deu-se ao trabalho de aprender a pilotar um avião. E explicou a razão numa entrevista: “Eu sabia que teria de escrever cerca de quarenta páginas com este miúdo a pilotar um avião. E não poderia fazê-lo se não tivesse de facto pilotado eu próprio um avião”.

 

Com “A Ameaça”, em 2004, Follett voltou ao thriller e ao tema dos perigos da biologia e da ciência. Mas foi também com este livro que encerrou, pelo menos até agora, a sua fase das histórias de acção e espionagem para se dedicar mais afincadamente aos romances históricos.

 

Em 2007, o lançamento de “Um Mundo Sem Fim” e a republicação de “Os Pilares da Terra” trouxeram-lhe finalmente o reconhecimento mundial e um lugar cativo nas listas dos mais vendidos. Em Portugal, cada um destes livros foi publicado em dois volumes separados. Porque assim podem ser publicados com letra maior? Para os leitores não se assustarem com o tamanho do volume? Ou por estratégia de marketing e de comercialização, para renderem mais lucro e maior número de exemplares vendidos? Provavelmente por tudo isto.

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O certo é que estas duas obras são ficções históricas brilhantemente concebidas, em cujo “cozinhado” Follett consegue incorporar de forma apuradíssima todos os elementos que usa habitualmente nos seus livros para despertar o interesse do leitor: fidelidade histórica q.b., personagens essencialmente boazinhas ou vilãs mas que às vezes “descarrilam” para o outro campo, segredos, tragédia e até crueldade, mas sempre criando em nós a expectativa de um final feliz.

 

Não li (ainda, mas hei-de ler) os livros da “Trilogia do Século”. Mas diz quem leu que são igualmente bons. Podem aproveitar para ler as opiniões da Magda e da Márcia (aqui e aqui) sobre estes livros.

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Está previsto que a sua próxima obra, que tem o título provisório de “A Column of Fire”, saia no Outono de 2017. Com o reinado de Isabel I de Inglaterra como pano de fundo, a história começa em Knightsbridge (sim, a localidade de “Os Pilares da Terra”) mas vai passar por muitos outros locais emblemáticos – incluindo Sevilha, talvez para agradar (ou agradecer, quem sabe) ao seu imenso público espanhol. É precisamente disto que nos fala nesta mensagem que gravou em vídeo no final 2015.

 

“O meu objectivo pessoal é escrever prosa transparente”, afirma Ken Follett numa das páginas do seu website oficial. Vinda de um homem que já vendeu mais de 150 milhões de cópias dos seus livros, esta declaração é no mínimo corajosa e estranhamente pouco egocêntrica. Apesar de tanto sucesso, Follett parece saber bem onde se situa no mundo da literatura. Não tem a ambição de escrever obras-primas, mas sim livros que cativem quem os lê. Ele próprio assume que quando escreve pensa primeiro naquilo que o leitor quererá, se gostará mais ou menos de determinada personagem. Não escreve para si, mas sim para quem vai ler os seus livros.

 

Talvez seja precisamente este um dos seus segredos: saber para quem escreve, e porquê. Outro segredo? Um trabalho árduo e metódico de pesquisa, esboço e escrita de cada livro. Afinal, o sucesso não se consegue só com inspiração, é preciso trabalhar para ele – e isto é absolutamente válido para todos os aspectos da nossa vida. Como ele mesmo diz, “If there’s a way to make it better, you have to do it.”

 

 

Entre aspas #8 Hervé Le Tellier

por anacb, em 01.09.16

 

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Obrigada, SAPO! #6

por anacb, em 29.08.16

Já se nota que o Verão está a chegar ao fim, é segunda-feira e não dormi o suficiente durante o fim-de-semana, tive de me levantar mais cedo do que o costume e estou cheia de trabalho porque a minha colega de gabinete está de férias. Não estava a ser propriamente o melhor início de semana de sempre.

 

Mas depois entro no Sapo Blogs e a primeira coisa que vejo é isto:

 

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E não há como não ficar feliz ao ver o meu post sobre o Stephen King em grande destaque logo pela manhã. Yay!!!!

 

Por isso, mais uma vez, obrigada à equipa do Sapo Blogs por este mimo. Já alegraram o meu dia.

 

E cá entre nós… o Stephen King merece. Não é o único escritor que merece, mas merece.

 

Entre aspas #7 Thea Dorn

por anacb, em 26.08.16

 

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