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Gene de traça

Livros e etc.

Somos todos animais

por anacb, em 31.12.15

 

VACA SAGRADA

David Duchovny

 

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Título: Vaca Sagrada

Título original: Holy Cow

Autor: David Duchovny

Ano de lançamento: 2015

 

Editora: Saída de Emergência

Publicação: 1ª edição – Novembro 2015

Número de páginas: 224

Tradução: Renato Carreira

Ilustrações: Natalya Balnova

 

 

Querem um livro que se lê num ápice, mistura humor satírico com referências da cultura pop (sobretudo) americana e filosofia new age, e ainda por cima está excelentemente ilustrado? A resposta certa é: Vaca Sagrada.

 

A história é contada na primeira pessoa por Elsie, uma vaca americana que vive feliz na sua quinta, pastando e sendo ordenhada, até que um dia descobre a horrível verdade sobre o fim da vida para a grande maioria das suas congéneres: ser morta e comida pelos humanos. O choque leva Elsie a questionar-se sobre o seu mundinho, o que há para lá dele, e o que quer para o seu futuro. Na companhia de Jerry, um porco recém-convertido ao judaísmo, e de Tom, um peru muito hábil com máquinas e gadgets, foge da quinta e embarca numa viagem que tem tanto de atribulada como de instrutiva, e que a levará a conhecer outras realidades e até mesmo, sem querer, a intervir em acontecimentos importantes. Elsie acabará por fazer as pazes com a vida como ela é e perceber que o seu papel no mundo, pelo menos durante algum tempo, será o de espalhar a mensagem de que “somos todos animais (…) criados segundo a imagem e imaginação infinitas da natureza”.

 

David Duchovny é mais conhecido como actor (por causa de “Ficheiros Secretos” e “Californication”, sobretudo) do que como escritor, mas a verdade é que ele é um homem das letras por formação (com licenciatura e mestrado em Literatura Inglesa), tendo escrito vários argumentos e guiões televisivos antes deste seu primeiro livro. No qual, diga-se de passagem, se nota a influência daquele tipo específico de escrita e um grande à-vontade na gestão dos trocadilhos linguísticos (que, já agora, estão muitíssimo bem traduzidos/adaptados para a língua portuguesa) e das referências a fenómenos culturais modernos. A verdade é que ele consegue nesta fábula, e de forma brilhante, aliar com facilidade cenas que só podem ser produto de uma imaginação delirante com reflexões filosóficas profundas, tudo embrulhado num humor sarcástico e certeiro a pôr o dedo na ferida.

 

Claro que por esta altura já perceberam que gostei imenso deste livro. Aliás, fiquei agarrada logo desde as primeiras páginas. Pela escrita desempoeirada, pelo sentido de humor fino e ao mesmo tempo brejeiro, pelas mensagens que é possível perceber nas entrelinhas. Foi para mim uma agradável surpresa, e fechou com chave de ouro as minhas leituras deste ano. Esta Elsie podia ser minha amiga. Pensamos muito da mesma maneira. E faço minhas as palavras dela: “Estamos todos unidos. Somos todos vacas sagradas”.

 

Há sempre um livro desconhecido à espera de nós #3

por anacb, em 14.12.15

 

Este livro é o que de mais parecido tenho com um “livro de cabeceira”. Volto a ele regularmente para ler algumas partes, e por vezes acabo mesmo por o reler de uma ponta à outra. É perfeito para esta altura do ano: para ler no quentinho do sofá numa manhã de preguiça, e para esquecer o chamamento comercial da época natalícia e perceber que o mais importante é (sermos e) fazermos os outros felizes.

 

 

“O TAO DO POOH” de Benjamin Hoff

 

O Tao do Pooh capa.jpg

 

 

Título: O Tao do Pooh

Título original: The Tao of Pooh

Autor: Benjamin Hoff

Ano de lançamento: 1982

 

Editora: Sinais de Fogo

Publicação: Novembro 2000

Número de páginas: 180

Tradução: Rita Quintela

 

 

Sinopse

 

Afinal, nem todos os grandes mestres da sabedoria usam veneráveis barbas brancas. Benjamin Hoff descobriu um no Ocidente, cujo prato favorito é o mel. Através de um diálogo divertido e brilhante com o ursinho Winnie-the-Pooh e os seus amigos, o autor demonstra com simplicidade e mestria que, longe de ser um conceito distante e misterioso, o Taoísmo é afinal bem corriqueiro.

(sinopse retirada daqui)

 

A minha opinião 

 

Toda a gente conhece as deliciosas histórias do ursinho Pooh e dos seus amigos criadas pelo escritor inglês A.A.Milne. Pooh tem um carisma especial, uma forma simples e ingénua de olhar para o seu pequeno mundo, uma maneira de agir que parece preguiça mas é no fundo apenas de não-interferência. E neste livro Benjamin Hoff consegue – magnificamente – usar o Pooh e as outras personagens de Milne para ilustrar alguns dos princípios do Taoísmo e dar pistas para a sua aplicação no nosso dia-a-dia.

As filosofias orientais são aquelas com as quais mais me identifico desde sempre e o Taoísmo é provavelmente a mais desconhecida de todas, apesar de as suas origens remontarem ao séc. VII a.C. Embora também seja reconhecida como uma religião, a sua prática institucionalizada é reduzida, e permanece sobretudo como uma corrente filosófica que assenta na primazia da ordem natural das coisas e da serenidade, e nos exorta à moderação, à compaixão e à humildade. O que, convenhamos, não abunda nos dias de hoje nas sociedades ocidentais e ocidentalizadas.

No entanto, a base do Taoísmo é simplesmente uma forma particular de apreciar tudo o que nos sucede no dia-a-dia, de aprender e trabalhar com as nossas experiências; um caminho para harmonizar a nossa vida, que resultará em maior felicidade.

Desde que “descobri” o Taoísmo há alguns (já bastantes) anos, tenho procurado absorver e adaptar à minha vida diária alguns destes princípios, e este livro foi e é sempre uma ajuda preciosa. Fácil de ler e no entanto brilhantemente estruturado, divertido e ao mesmo tempo profundo, “O Tao do Pooh” instala-se rapidamente no nosso coração, tal como o ursinho que é o seu protagonista.

Só para aguçar o apetite, deixo-vos aqui com dois excertos de que gosto particularmente:

 

Um estilo de vida que repete constantemente ‘Depois da próxima esquina, acima do próximo degrau,’ vai contra a ordem natural das coisas e torna tão difícil ser-se bom e feliz que apenas uns poucos chegam a ser aquilo que seriam naturalmente à partida – Bons e Felizes -, e a maior parte desiste e cai pelas valetas, amaldiçoando o mundo, situação esta que não devemos julgar mas sim encarar como algo que está lá para indicar o caminho.

Aqueles que acham que as recompensas da vida estão algures por trás do arco-íris…

- Deixam queimar demasiado as suas torradas – disse o Pooh.

 

O principal problema desta grande obsessão por Poupar Tempo é muito simples: não podemos poupar tempo. Só podemos gastá-lo. Mas podemos gastá-lo sabiamente ou tolamente. O Voltuxa Oquepado não tem praticamente tempo nenhum, porque está demasiado ocupado a desperdiçá-lo ao tentar poupá-lo. E ao tentar poupar cada bocado de tempo, acaba por desperdiçá-lo todo.

 

 

(Podem encontrar aqui um artigo interessante sobre este livro. E se quiserem conhecer alguns factos curiosos da vida de A.A.Milne, o criador do Pooh, espreitem aqui)

 

 

INOMINÁVEL #1

por anacb, em 01.12.15

Fresquinha, fresquinha, acabadinha de sair. Luminosa e muito recheada, como se quer nesta quadra.

 

O Natal não seria o mesmo sem a nossa INOMINÁVEL N.º 1.

 

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 (link aqui)